Atendimento pós-exposição à raiva relacionado a morcegos no Brasil, 2014–2024: tendências e desigualdades regionais.

Autores

  • Matheus Gonçalves Maués Centro Universitário do Pará https://orcid.org/0009-0009-5787-6648
  • Victória Amin Centro Universitário do Pará
  • Júlia Costa Centro Universitário da Amazônia
  • Yasmin Imbiriba Centro Universitário da Amazônia
  • Giovana Lima Centro Universitário da Amazônia
  • André Lima Centro Universitário da Amazônia

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1010-1134

Palavras-chave:

Raiva, Morcegos, Profilaxia Pós-Exposição, Vigilância Epidemiológica, Zoonoses

Resumo

Introdução: A raiva permanece uma zoonose de elevada letalidade, e os morcegos assumiram importância crescente na epidemiologia da doença no Brasil. A profilaxia pós-exposição (PPE) é fundamental para prevenir casos humanos, mas sua efetividade depende da oportunidade do atendimento, da continuidade do esquema indicado e da adequação da conduta registrada. 

Objetivo: Analisar o atendimento pós-exposição à raiva relacionado a morcegos no Brasil entre 2014 e 2024, com ênfase nas tendências temporais, desigualdades regionais, oportunidade do atendimento, abandono, busca ativa e concordância da conduta registrada. 

Material e Métodos: Estudo observacional retrospectivo baseado em registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram analisados 62.099 registros pós-exposição relacionados a morcegos. Empregaram-se análises descritivas, regressão de Poisson com variância robusta e modelos de Prais-Winsten para avaliação das tendências temporais. 

Resultados: Entre 61.960 registros com intervalo cronologicamente válido, 48,3% apresentaram atendimento no mesmo dia da exposição e 10,2% intervalo superior a sete dias. A região Norte apresentou as maiores proporções de atendimento tardio (>2 dias: 40,6%; >7 dias: 28,2%). Entre os registros com situação de interrupção conhecida, 13,5% apresentaram abandono. Entre os registros de abandono com informação disponível sobre busca ativa, esta foi registrada em 79,5%. Na coorte conservadora de concordância, 22,7% dos registros apresentaram conduta potencialmente discordante das recomendações nacionais. O número anual de registros aumentou significativamente (VPA=7,8%; IC95%: 1,6–14,4%; p=0,019), enquanto os indicadores de atraso, abandono e potencial discordância permaneceram estacionários. 

Conclusão: O aumento dos atendimentos registrados não foi acompanhado por melhora proporcional dos principais indicadores assistenciais. Persistiram desigualdades regionais relevantes, particularmente na região Norte, indicando a necessidade de fortalecer o acesso oportuno, a continuidade da PPE e a qualidade dos registros.

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Publicado

2026-08-20

Como Citar

Maués, M. G., Amin, V., Costa, J., Imbiriba, Y., Lima, G., & Lima, A. (2026). Atendimento pós-exposição à raiva relacionado a morcegos no Brasil, 2014–2024: tendências e desigualdades regionais. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(8), 1010–1134. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1010-1134