Perfil dos casos de sífilis em gestante em Minas Gerais, 2021–2025
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p1043-1059Palavras-chave:
Sífilis; Gestantes; Epidemiologia; Cuidado Pré-NatalResumo
Objetivo: descrever o perfil epidemiológico dos casos de sífilis em gestante em Minas Gerais, entre 2021 e 2025. Métodos: estudo descritivo, retrospectivo, com dados secundários agregados do TABNET do Portal da Vigilância em Saúde de Minas Gerais. Foram analisadas as variáveis: ano, faixa etária, escolaridade, raça/cor, idade gestacional do diagnóstico, classificação clínica, realização de teste treponêmico e teste não treponêmico. Aplicou-se o teste do qui-quadrado de aderência para cada variável, assumindo-se distribuição uniforme entre suas categorias, e, nos casos significativos, realizou-se análise pós-hoc por resíduos ajustados com correção de Holm. Resultados: foram identificados 32.949 casos no período, distribuídos em 786 municípios, com maior concentração na macrorregião Centro e crescimento dos registros em 2023, 2024 e 2025. As maiores magnitudes entre as categorias significativamente acima do esperado ocorreram para confirmação por testes não treponêmicos e treponêmicos reativos, faixa etária de 20 a 29 anos, raça/cor parda, escolaridade ignorada/branca, seguida por ensino médio completo, classificação clínica latente e diagnóstico no primeiro trimestre gestacional. Conclusão: a sífilis em gestante mostrou ampla disseminação territorial no estado, concentração em perfis sociodemográficos específicos e persistência de fragilidades relacionadas à qualidade do preenchimento das notificações, o que reforça a necessidade de qualificação do pré-natal, do diagnóstico oportuno e do registro da informação em saúde.
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