Anticorpos monoclonais anti-β-amiloide na Doença de Alzheimer
Eficácia clínica, limitações e implicações para a prática terapêutica
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p1001-1014Palavras-chave:
Doença de alzheimer, Anticorpos Monoclonais, Peptídeos beta-amiloides, Lecanemabe, Doença de Alzheimer, anti-beta-amiloide, tratamento, Alzheimer; Disfunções neurais; Neurodegeneração.Resumo
A Doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência em nível global, caracterizada por declínio cognitivo progressivo e perda funcional. Nas últimas décadas, o desenvolvimento de terapias modificadoras da doença tornou-se prioridade, com destaque para os anticorpos monoclonais anti-β-amiloide, que visam reduzir a deposição cerebral de placas amiloides. O presente estudo tem como objetivo analisar criticamente as evidências científicas recentes sobre a eficácia e segurança dos anticorpos monoclonais anti-β-amiloide, com foco nos fármacos aducanumabe, lecanemabe e donanemabe, além de discutir suas limitações e implicações para a prática clínica. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados PubMed, Scopus e ScienceDirect. A seleção dos estudos clínicos foi conduzida a partir da base PubMed, utilizando descritores controlados (MeSH Terms) combinados por operadores booleanos, priorizando ensaios clínicos randomizados de fase II e III e revisões sistemáticas. Estudos adicionais foram incluídos para contextualização teórica. Ao final do processo de triagem, sete estudos compuseram a análise qualitativa. Os resultados indicam que os anticorpos monoclonais anti-β-amiloide promovem redução significativa da carga amiloide cerebral e desaceleração estatisticamente relevante do declínio cognitivo, especialmente em estágios iniciais da doença. No entanto, o benefício clínico observado é quantitativamente modesto, com impacto limitado nas escalas funcionais. Além disso, eventos adversos como as Anormalidades de Imagem Relacionadas ao Amiloide (ARIA) representam um desafio relevante para a segurança e implementação dessas terapias. Conclui-se que, embora representem avanço importante na terapêutica da DA, os anticorpos anti-β-amiloide apresentam limitações quanto à magnitude do benefício clínico, custo, segurança e aplicabilidade em larga escala. A consolidação de seu papel na prática clínica dependerá de estudos de longo prazo e do desenvolvimento de abordagens terapêuticas combinadas que considerem a natureza multifatorial da doença.
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