SAÚDE BUCAL INDÍGENA E GOVERNANÇA EM SAÚDE: análise da atenção, acesso e gestão no âmbito do DSEI Alto Rio Negro
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p650-665Palavras-chave:
saúde indígena; governança; saúde bucal; acesso; AmazôniaResumo
O presente artigo analisa a saúde bucal indígena no âmbito do Distrito Sanitário Especial Indígena Alto Rio Negro, com ênfase nas dimensões de governança, gestão e acesso aos serviços de saúde, considerando a complexidade territorial e sociocultural que caracteriza a região amazônica. Parte-se do pressuposto de que a efetividade das políticas públicas em saúde indígena não pode ser compreendida apenas por indicadores de cobertura assistencial, sendo necessário incorporar aspectos institucionais, logísticos e culturais que condicionam a implementação das ações. A pesquisa adota abordagem qualitativa, de natureza analítico-interpretativa, fundamentada na revisão crítica da literatura recente e na análise de documentos institucionais, buscando compreender como os arranjos de governança influenciam a organização da atenção à saúde bucal. Os resultados evidenciam que, embora haja avanços na ampliação do acesso aos serviços odontológicos, persistem desafios significativos relacionados à fragmentação da gestão, à instabilidade da força de trabalho e às limitações logísticas decorrentes da dispersão territorial. Observa-se que a governança no âmbito do DSEI Alto Rio Negro apresenta fragilidades na coordenação das ações e na integração entre os diferentes níveis de atenção, o que compromete a continuidade do cuidado e a resolutividade dos serviços. Além disso, a ausência de estratégias interculturais estruturadas limita a adesão das comunidades indígenas às ações de promoção e prevenção em saúde bucal, reforçando a natureza episódica das intervenções. A análise demonstra que o acesso aos serviços permanece desigual, sendo condicionado por fatores geográficos e institucionais que dificultam a universalização efetiva da atenção. Conclui-se que o fortalecimento da governança em saúde bucal indígena exige a reconfiguração dos modelos de gestão, com ênfase na territorialização, na integração das redes de atenção e na valorização de abordagens interculturais, de modo a promover maior equidade e efetividade das políticas públicas no contexto amazônico.
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