Doença inflamatória pélvica provocada por infecções sexualmente transmissíveis: uma revisão integrativa

Autores

  • Daiane Novaes Peres Unoeste, Campus Jaú
  • Gabriela Lopes Leme Unoeste, Campus Jaú
  • Elis Marina Turini Claro Unoeste

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p994-1010

Palavras-chave:

Doença inflamatória pélvica, Saúde Sexual Feminina, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Educação sexual

Resumo

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior que acomete predominantemente mulheres jovens sexualmente ativas. Essa patologia decorre da contaminação por microrganismos cervicovaginais endógenos e por relações sexuais desprotegidas, tendo como principais agentes etiológicos Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura para sintetizar e avaliar os dados disponíveis sobre a DIP causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em mulheres em idade fértil, além de apresentar dados epidemiológicos sobre essa patologia no Brasil, relacionando-a com a educação sexual e a redução dos riscos da doença. As buscas foram realizadas em cinco bases de dados (Science Direct, MEDLINE, PubMed, Web of Science e SciELO) utilizando descritores em ciências da saúde e suas versões em inglês: doença inflamatória pélvica, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, infecções sexualmente transmissíveis e educação sexual, abrangendo o período de 2015 a 2024, para garantir a atualidade dos dados. Foram selecionados apenas os artigos que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Os resultados evidenciaram que a DIP afeta principalmente mulheres sexualmente ativas entre 20 e 39 anos. Dados epidemiológicos indicam que aproximadamente 5% das infecções por clamídia não tratadas evoluem para DIP nas primeiras semanas, e cerca de 60% dos casos de DIP são assintomáticos, dificultando o diagnóstico precoce e o rastreamento adequado. A revisão destacou que, embora o tratamento seja eficaz quando realizado de forma oportuna, muitos casos permanecem subdiagnosticados devido à ausência de sintomas, especialmente entre mulheres que não buscam atendimento médico regular. Para avanços efetivos no controle da DIP, é fundamental a integração entre pesquisa, prática clínica e políticas públicas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce. O desenvolvimento de novas estratégias diagnósticas e terapêuticas, aliado a programas educacionais efetivos, será crucial para reduzir o impacto desta doença na saúde da população feminina.

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Biografia do Autor

Elis Marina Turini Claro, Unoeste

Possui Graduação em Ciências Biológicas, licenciatura e bacharelado, pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (2007). Mestrado em Tecnologia na Faculdade de Tecnologia da Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP (2013), Doutorado em Ciências Biológicas - Microbiologia Aplicada pela Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho" - UNESP, campus Rio Claro e pós-doutorado na UNESP, Campus Rio Claro (com estágio realizado na Universidad Autonoma de Madrid, UAM - Espanha). Além disso, está cursando uma pós-graduação em Prevenção e Controle de Infecção Hospitalar no Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein (2024-2025). Atualmente é docente das disciplinas de Microbiologia e Doenças Infectocontagiosas junto ao curso de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (UNOESTE) campus Jaú.

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Publicado

2026-02-21

Como Citar

Peres, D. N., Leme, G. L., & Claro, E. M. T. (2026). Doença inflamatória pélvica provocada por infecções sexualmente transmissíveis: uma revisão integrativa. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(2), 994–1010. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p994-1010