Doença inflamatória pélvica provocada por infecções sexualmente transmissíveis: uma revisão integrativa
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p994-1010Palavras-chave:
Doença inflamatória pélvica, Saúde Sexual Feminina, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, Educação sexualResumo
A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma infecção do trato genital superior que acomete predominantemente mulheres jovens sexualmente ativas. Essa patologia decorre da contaminação por microrganismos cervicovaginais endógenos e por relações sexuais desprotegidas, tendo como principais agentes etiológicos Chlamydia trachomatis e Neisseria gonorrhoeae. Este estudo tem como objetivo realizar uma revisão integrativa da literatura para sintetizar e avaliar os dados disponíveis sobre a DIP causada por infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em mulheres em idade fértil, além de apresentar dados epidemiológicos sobre essa patologia no Brasil, relacionando-a com a educação sexual e a redução dos riscos da doença. As buscas foram realizadas em cinco bases de dados (Science Direct, MEDLINE, PubMed, Web of Science e SciELO) utilizando descritores em ciências da saúde e suas versões em inglês: doença inflamatória pélvica, Chlamydia trachomatis, Neisseria gonorrhoeae, infecções sexualmente transmissíveis e educação sexual, abrangendo o período de 2015 a 2024, para garantir a atualidade dos dados. Foram selecionados apenas os artigos que atenderam aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Os resultados evidenciaram que a DIP afeta principalmente mulheres sexualmente ativas entre 20 e 39 anos. Dados epidemiológicos indicam que aproximadamente 5% das infecções por clamídia não tratadas evoluem para DIP nas primeiras semanas, e cerca de 60% dos casos de DIP são assintomáticos, dificultando o diagnóstico precoce e o rastreamento adequado. A revisão destacou que, embora o tratamento seja eficaz quando realizado de forma oportuna, muitos casos permanecem subdiagnosticados devido à ausência de sintomas, especialmente entre mulheres que não buscam atendimento médico regular. Para avanços efetivos no controle da DIP, é fundamental a integração entre pesquisa, prática clínica e políticas públicas, com ênfase na prevenção e no diagnóstico precoce. O desenvolvimento de novas estratégias diagnósticas e terapêuticas, aliado a programas educacionais efetivos, será crucial para reduzir o impacto desta doença na saúde da população feminina.
Downloads
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Programa Saúde na Escola (PSE). Disponível em: https://www.gov.br/saude/. Acesso em: 15 nov. 2024.
CURRY, A.; WILLIAMS, T.; PENNY, M. L. Pelvic Inflammatory Disease: Diagnosis, Management, and Prevention. Am Fam Physician, v. 100, n. 6, p. 357-364, 2019.
GANONG, L. H. Integrative reviews of nursing research. Research in Nursing & Health, v. 10, n. 1, p. 1–11, 1987.
HAMMERSCHLAG, M. R. Infecções por clamídia. RAHWAY, N. J, EUA: Manual MDS, ago. 2023. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/ptbr/casa/infec%C3%A7%C3%B5es/infec%C3%A7%C3%B5es-por-clam%C3%ADdiae-micoplasmas/infec%C3%A7%C3%B5es-por-clam%C3%ADdia. Acesso em: 18 jun. 2024.
JAMESON, J. L. et al. Medicina interna de Harrison. 20. ed. Porto Alegre: AMGH, 2020.
JENNINGS, L. K.; KRYWKO, D. M. Pelvic Inflammatory Disease. Em: Stat Pearls. Treasure Island (FL): Stat Pearls Publishing, 2024.
LASMAR, R. B. Tratado de Ginecologia. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2017.
MENEZES, M. L. B. et al. Protocolo Brasileiro para Infecções Sexualmente Transmissíveis 2020: doença inflamatória pélvica. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 30, n. spe1, p. e2020602, 2021.
MENDES, K. D. S.; SILVEIRA, R. C. D. C. P.; GALVÃO, C. M. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto contexto - enferm., v. 17, n. 4, p. 758–64, 2008.
MITCHELL, C. M. et al. Etiology and Diagnosis of Pelvic Inflammatory Disease: Looking Beyond Gonorrhea and Chlamydia. The Journal of Infectious Diseases, v. 224, n. Supplement_2, p. S29–S35, 2021.
OLIVEIRA, A. L.; SILVA, R. S. Educação sexual e saúde pública: desafios e perspectivas. Revista Brasileira de Saúde Pública, v. 53, p. 111-118, 2019.
PEIPERT, J. F.; MADDEN, T. Pelvic inflammatory disease: Long-term complications. UpToDate, jul. 2024.
PERCINEY, P. et al. Pelvic inflammatory disease hospitalizations in Brazil: time trend from 2000 to 2019. Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, v. 22, n. 4, p. 767– 773, dez. 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1806-9304202200040003. Acesso em: 1 mar. 2024.
ROSS, J. Pelvic inflammatory disease: Clinical manifestations and diagnosis. UpToDate, jul. 2024. SAÚDE, M. DA. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis – IST. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2023.
SANTELLI, J. S. et al. Abstinence-Only-Until-Marriage Policies and Programs: An Updated Position Paper of the Society for Adolescent Health and Medicine. Journal of Adolescent Health, v. 61, n. 3, p. 400-403, 2017.
SANTOS, A. L. et al. Tendências epidemiológicas das doenças sexualmente transmissíveis no Brasil. Revista Brasileira de Saúde Pública, v. 56, p. 117-124, 2020.
SHORT, V. L. et al. Clinical presentation of Mycoplasma genitalium infection versus Neisseria gonorrhoeae infection among women with pelvic inflammatory disease. Clin. Infect. Dis., v. 48, n. 1, p. 41-47, 2009.
SPINDOLA, T. et al. A prevenção das infecções sexualmente transmissíveis nos roteiros sexuais de jovens: diferenças segundo o gênero. Ciência & Saúde Coletiva, v. 26, n. 7, p. 2683–2692, jul. 2021.
SWEET, R. L. Pelvic inflammatory disease: current concepts of diagnosis and management. Curr. Infect. Dis. Rep., v. 14, n. 2, p. 194-203, 2012.
TRENT, M. et al. Recurrent PID, subsequent STI, and reproductive health outcomes: findings from the PID evaluation and clinical health (PEACH) study. Sex. Transm. Dis., v. 38, n. 9, p. 879-881, 2011.
UTAGAWA, M. L.; ARAUJO, I. M. C. Importância do diagnóstico precoce da Chlamydia trachomatis. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 55, n. 04, 2023. Disponível em: https://www.rbac.org.br/artigos/importancia-do-diagnostico-precoceda-chlamydia-trachomatis/. Acesso em: mar. 2024.
UNESCO. International Technical Guidance on Sexuality Education. UNESCO, 2018. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/. Acesso em 25 out. 2024.
VAN DER MEER, J.; HUISMAN, J.; KROEZE, P. Sexual health education and the prevention of pelvic inflammatory disease: A global overview. Journal of Sexual Medicine, v. 17, p. 1305-1312, 2022.
WHO. World Health Organization. Infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), 21 mai. 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/sexuallytransmitted-infections
(stis)?gad_source=1&gclid=CjwKCAjwrcKxBhBMEiwAIVF8rDSqzJs_nhQ7NU9NbCEi26xW1AW2uaNeKEhFEo0tYeHGiiZo-k5iRoCzFYQAvD_BwE. Acesso em: 18 jun. 2024.
WIESENFELD, H. C. Pelvic inflammatory disease: Treatment in adults and adolescents. UpToDate, jul. 2024.
WILL, T. K.; DALBELLO-ARAUJO, M. Princípios da atenção primária à saúde nos dias de hoje: uma revisão. Revista de Enfermagem Atenção à Saúde [Internet], v. 12, n. 2. 2023 Disponível em: https://seer.uftm.edu.br/revistaeletronica/index.php/enfer/article/view/5052. Acesso em 14 maio 2024.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Daiane Novaes Peres, Gabriela Lopes Leme, Elis Marina Turini Claro

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores são detentores dos direitos autorais mediante uma licença CCBY 4.0.



