Farmacoequidade no Cuidado Cardiorrenal: Superando Disparidades na Atenção Primária

Authors

  • Eduardo Torrente Trassi
  • Ana Vitoria Mainetti
  • Juliana Cortez Vieira
  • Luísa Vitória Lago
  • João Gabriel Olivoto Salgueiro
  • Roger Ribeiro Boaretto
  • Débora Endler Simioni

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p226-236

Keywords:

Atenção Primária à Saúde; Equidade em Saúde; Doença Renal Crônica; Doenças Cardiovasculares; Diabetes Mellitus Tipo 2; Assistência Farmacêutica.

Abstract

As doenças cardiovasculares, o diabetes mellitus tipo 2 e a doença renal crônica constituem um importante problema de saúde pública, sendo responsáveis por elevada morbimortalidade e crescente demanda por cuidados contínuos. Nos últimos anos, o desenvolvimento de terapias farmacológicas capazes de reduzir eventos cardiovasculares e retardar a progressão da doença renal crônica representou um avanço significativo no cuidado cardiorrenal. Entretanto, o acesso desigual a esses medicamentos evidencia a necessidade de incorporar o conceito de farmacoequidade, entendido como a garantia de acesso oportuno e equitativo às terapias baseadas em evidências, independentemente de condições socioeconômicas, demográficas ou geográficas. O presente estudo teve como objetivo analisar as evidências científicas sobre a farmacoequidade no cuidado cardiorrenal, destacando as principais disparidades relacionadas ao acesso às terapias farmacológicas e as estratégias para seu enfrentamento na Atenção Primária à Saúde. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, realizada a partir de publicações nacionais e internacionais dos últimos dez anos (2016–2026), incluindo artigos originais, revisões sistemáticas, metanálises, diretrizes clínicas e documentos de consenso. Os achados demonstram que, embora medicamentos como os inibidores do cotransportador sódio-glicose tipo 2 (SGLT2) e os agonistas do receptor do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1) apresentem benefícios consistentes na redução de eventos cardiovasculares e renais, sua utilização permanece desigual entre diferentes grupos populacionais em razão de barreiras socioeconômicas, organizacionais e relacionadas aos sistemas de saúde. A Atenção Primária à Saúde destaca-se como cenário estratégico para o rastreamento precoce, a estratificação de risco, o acompanhamento longitudinal e a implementação de práticas voltadas à equidade no acesso aos tratamentos. Conclui-se que a farmacoequidade representa um componente essencial para a qualificação do cuidado cardiorrenal, sendo necessária a adoção de políticas públicas, o fortalecimento da assistência farmacêutica e a ampliação do acesso às terapias baseadas em evidências, com o objetivo de reduzir desigualdades e promover melhores desfechos clínicos.

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Published

2026-08-06

How to Cite

Torrente Trassi, E., Mainetti, A. V., Cortez Vieira, J., Lago, L. V., Olivoto Salgueiro, J. G., Ribeiro Boaretto, R., & Endler Simioni, D. (2026). Farmacoequidade no Cuidado Cardiorrenal: Superando Disparidades na Atenção Primária. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(8), 226–236. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p226-236