INFORMAÇÃO NUTRICIONAL VERSUS MARKETING VISUAL: O QUE PESA MAIS NA ESCOLHA DO CONSUMIDOR?
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n6p626-650Keywords:
rotulagem nutricional. marketing visual. comportamento do consumidor. embalagem de alimentos. processamento dual. RDC 429/2020.Abstract
Introdução: O ambiente de compra de alimentos é marcado por uma disputa silenciosa entre dois sistemas de comunicação que coexistem na mesma embalagem: a tabela de informação nutricional, criada para orientar escolhas conscientes, e o conjunto de elementos gráficos do marketing visual, estruturado para maximizar o apelo emocional e impulsionar a aquisição do produto. Essa tensão tem implicações diretas para a saúde coletiva em um país como o Brasil, onde a prevalência de obesidade em adultos superou 22% em 2024 e onde o consumo de alimentos ultraprocessados segue em expansão. Objetivo: Este artigo examina qual desses dois sistemas exerce maior influência sobre as decisões de compra do consumidor de alimentos, com apoio na literatura científica recente. Materiais e Método: A pesquisa foi desenvolvida como revisão integrativa da literatura, com levantamento de publicações científicas, documentos normativos e relatório institucional relacionados à rotulagem nutricional, marketing visual, comportamento do consumidor e embalagem de alimentos. As bases consultadas incluíram PubMed, SciELO e Google Scholar, com seleção orientada por critérios de inclusão e exclusão, considerando pertinência temática, idioma, disponibilidade do texto e relação direta com o problema investigado. Resultados e Discussão: Os materiais selecionados foram sistematizados em quadro, contemplando título, autor, objetivo, metodologia, principais resultados e conclusão, e posteriormente discutidos de forma integrada. A análise demonstrou que o marketing visual exerce forte influência sobre a decisão de compra, pois atua de modo rápido, automático e emocional, antes que a informação nutricional seja deliberadamente consultada. Verificou-se que o design das embalagens direciona a atenção do consumidor para cores, imagens, alegações promocionais e elementos de apelo visual, enquanto a leitura da tabela nutricional permanece limitada, especialmente entre grupos com menor renda, escolaridade e letramento em saúde. Também se observou que a rotulagem nutricional frontal representa avanço regulatório, embora modelos de advertência mais explícitos apresentem maior força comunicativa do que o símbolo de lupa adotado no Brasil. Contribuição Científica: O estudo sistematiza evidências de áreas distintas, como psicologia cognitiva, design, nutrição e direito sanitário, para demonstrar que a assimetria entre marketing visual e informação nutricional não é acidental, mas estruturalmente produzida por escolhas de design, regulação e investimento que antecedem o momento da compra. Conclusão: A regulação brasileira constitui avanço real, porém insuficiente enquanto o design global da embalagem, incluindo cores, imagens, alegações voluntárias e hierarquia visual, não for incluído no escopo das políticas regulatórias.
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References
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