Mortalidade por Bronquiolite Aguda em Menores de 1 ano entre 2014 e 2024 no Brasil: Estudo Ecológico de Série Temporal
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p974-988Palavras-chave:
Mortalidade Infantil, Bronquiolite, Vírus Sincicial Respiratório Humano, BrasilResumo
RESUMO
Introdução: A bronquiolite aguda configura-se como a principal causa de hospitalização e óbito por infecção respiratória em crianças menores de um ano. Recentemente, o perfil epidemiológico da doença foi drasticamente alterado pelo fenômeno da "dívida imunológica" pós-pandemia de COVID-19, tornando essencial o monitoramento dos indicadores de mortalidade no país.
Objetivo: Analisar a magnitude e tendência da mortalidade por bronquiolite aguda em menores de um ano no Brasil (2014-2024), caracterizando a dinâmica temporal e o perfil sociodemográfico para subsidiar políticas públicas e a qualificação da assistência pediátrica.
Metodologia: Estudo transversal quantitativo baseado em dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Sistema de Informações sobre Mortalidade e Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos). Analisaram-se óbitos (CID-10: J21) segundo ano, região, faixa etária, sexo e etnia. Calcularam-se coeficientes de mortalidade específica e mortalidade proporcional, com sistematização em planilhas eletrônicas.
Resultados: Registraram-se 2.855 óbitos. A trajetória foi ascendente até 2019 (244), com retração em 2020 (68). O biênio final apresentou escalada vertiginosa, atingindo o ápice em 2023 (577 óbitos; 20,2%) e manutenção elevada em 2024 (537). O coeficiente nacional em 2023 (0,227/1.000 nascidos vivos) foi quatro vezes superior ao de 2014, fato associado à "dívida imunológica" pós-pandemia. O Sudeste deteve maior carga absoluta (46,5%), mas Nordeste (0,296) e Centro-Oeste (0,261) apresentaram maiores riscos epidemiológicos em 2023. A mortalidade concentrou-se entre 28-364 dias de vida (96,7%), no sexo masculino (57,7%) e nas etnias branca (46,0%) e parda (42,1%). A mortalidade proporcional atingiu 1,80% em 2023, consolidando a patologia como causa de relevância crítica.
Conclusão: A bronquiolite consolidou-se como ameaça crescente aos lactentes. O agravamento dos indicadores ressalta vulnerabilidades assistenciais e desigualdades regionais. É imperativo avançar na descentralização de leitos de terapia intensiva e na implementação de novas tecnologias preventivas, como anticorpos monoclonais de ação prolongada, visando reduzir a mortalidade infantil evitável no país.
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