Cidades Doentes, Corpos Exaustos: O impacto do planejamento urbano na prevalência de doenças crônicas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p948-957Palavras-chave:
Planejamento urbano; Doenças crônicas; Saúde urbana; Ambiente construído; Qualidade de vida.Resumo
RESUMO
Introdução: O processo acelerado de urbanização tem transformado os modos de vida nas cidades, influenciando diretamente os determinantes sociais da saúde. Modelos urbanos desordenados, centrados no transporte motorizado e na produtividade econômica, contribuem para ambientes pouco saudáveis, favorecendo o sedentarismo, a poluição ambiental e o estresse crônico, fatores associados ao aumento das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT). Objetivo: Analisar o impacto do planejamento urbano na prevalência das doenças crônicas não transmissíveis, a partir da literatura científica nacional e internacional. Metodologia: Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, com delineamento de revisão narrativa da literatura. A busca foi realizada nas bases Google Scholar, Scopus e Web of Science, utilizando descritores relacionados ao planejamento urbano, ambiente construído e saúde urbana, nos idiomas português e inglês. Foram incluídos artigos publicados nos últimos 20 anos, disponíveis na íntegra e alinhados ao objetivo do estudo, totalizando dez artigos selecionados para análise descritiva e interpretativa. Conclusão: Os achados evidenciam que o planejamento urbano exerce papel determinante na configuração dos perfis epidemiológicos contemporâneos. Ambientes urbanos marcados pela mobilidade centrada no automóvel, escassez de áreas verdes, poluição ambiental e desigualdade socioespacial estão associados ao aumento do risco cardiovascular, metabólico e de transtornos mentais. Em contrapartida, modelos urbanos que incentivam a mobilidade ativa e o acesso a espaços públicos de qualidade apresentam melhores indicadores de saúde populacional. Conclui-se que o enfrentamento das doenças crônicas exige uma abordagem intersetorial, reconhecendo o território urbano como elemento central na promoção da saúde e na melhoria da qualidade de vida.
Palavras-chave: Planejamento urbano; Doenças crônicas; Saúde urbana; Ambiente construído; Qualidade de vida.
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