Princípios da Pesquisa Clínica
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n2p516-532Palavras-chave:
Pesquisa clínica, Ética em pesquisa, Resolução CNS 466/12, ANVISA, Legislação científicaResumo
Objetivo: O presente estudo tem como propósito analisar e sistematizar os principais critérios que definem uma pesquisa como clínica, à luz da legislação nacional brasileira (Resolução CNS nº 466/2012, RDC ANVISA nº 9/2015 e Lei nº 14.874/2024) e de diretrizes internacionais amplamente reconhecidas, como a Declaração de Helsinque, as Boas Práticas Clínicas do ICH-GCP e as recomendações do CIOMS. Busca-se oferecer uma base teórica atualizada que permita a correta caracterização desse tipo de investigação, assegurando validade ética, científica e regulatória nos estudos realizados em seres humanos. Metodologia: Foi realizada uma revisão de literatura abrangente, voltada à identificação e análise dos elementos que configuram a pesquisa clínica. A investigação contemplou a legislação nacional vigente e diretrizes internacionais de ética e boas práticas, com enfoque nos aspectos metodológicos, éticos e regulatórios que determinam a classificação de um estudo como clínico. Destacou-se, ainda, a importância da distinção entre diferentes modalidades de pesquisa e delineamentos científicos. Resultados: A pesquisa clínica foi caracterizada pela inclusão direta de participantes humanos, pela aplicação de intervenções em saúde (terapêuticas, diagnósticas, preventivas ou reabilitadoras) e pelo caráter prospectivo de seus delineamentos. Evidenciaram-se como requisitos essenciais a submissão aos Comitês de Ética em Pesquisa (CEPs), o registro em plataformas nacionais e internacionais, a rastreabilidade e o monitoramento contínuo, a contratação de seguro e a garantia de acesso aos benefícios pós-estudo. Observou-se que a clareza conceitual é fundamental para evitar classificações equivocadas e preservar a integridade científica, diferenciando a pesquisa clínica de outros tipos de investigação, como estudos retrospectivos, revisões bibliográficas e pesquisas com material biológico previamente armazenado. Conclusão: A correta classificação de uma investigação como pesquisa clínica constitui um processo multifatorial que exige a compreensão integrada de aspectos éticos, metodológicos e regulatórios. Essa caracterização é indispensável para assegurar a proteção dos participantes, a robustez científica do estudo e o alinhamento com marcos normativos nacionais e internacionais, contribuindo para o fortalecimento da pesquisa em saúde no Brasil.
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