Transtorno Obsessivo-Compulsivo: Aspectos Neurobiológicos, Diagnósticos e Avanços Terapêuticos
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n10p2013-2027Palavras-chave:
transtorno obsessivo-compulsivo; neurobiologia; diagnóstico; serotonina; terapia cognitivo-comportamental; tratamentoResumo
Introdução: O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é uma condição psiquiátrica crônica caracterizada pela presença de obsessões, pensamentos, impulsos ou imagens intrusivas, compulsões e comportamentos repetitivos realizados para reduzir a ansiedade. Afeta cerca de 2% da população mundial, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo uma das principais causas de incapacidade psiquiátrica. No Brasil, diretrizes da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) destacam a importância do diagnóstico precoce e do tratamento integrado para reduzir o impacto funcional e emocional da doença. Objetivo: Discutir os principais aspectos neurobiológicos e diagnósticos do TOC, bem como os avanços terapêuticos recentes, com base em evidências clínicas e recomendações de sociedades médicas nacionais e internacionais. Metodologia: Realizou-se uma revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, SciELO e LILACS, além de consulta a diretrizes da ABP e da American Psychiatric Association (APA) publicadas entre 2015 e 2025. Foram selecionados artigos e revisões sistemáticas sobre fisiopatologia, diagnóstico e tratamento do TOC. Discussão/Resultados: Estudos de neuroimagem indicam que o TOC está associado à hiperatividade nos circuitos córtico-estriado-tálamo-corticais, especialmente no córtex orbitofrontal, giro do cíngulo e núcleo caudado. Alterações nos sistemas serotoninérgico, dopaminérgico e glutamatérgico também desempenham papel relevante na fisiopatologia. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, devendo-se diferenciar o TOC de transtornos de ansiedade, espectro autista e transtornos de tiques. O tratamento de primeira linha inclui inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como fluoxetina e sertralina, frequentemente em doses mais altas que as utilizadas na depressão. A terapia cognitivo-comportamental (TCC), especialmente com exposição e prevenção de resposta, é altamente eficaz e pode ser combinada ao tratamento farmacológico. Em casos refratários, a estimulação cerebral profunda e o uso de moduladores glutamatérgicos, como a memantina, vêm sendo estudados com resultados promissores. Conclusão: O manejo do TOC exige abordagem multidisciplinar, integrando aspectos farmacológicos e psicoterapêuticos. O avanço nas pesquisas neurobiológicas tem ampliado o entendimento dos circuitos cerebrais envolvidos e favorecido o desenvolvimento de terapias mais direcionadas, oferecendo melhor qualidade de vida aos pacientes.
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