A ASSOCIAÇÃO ENTRE O USO DE CANNABIS COM O DESENVOLVIMENTO DE ESQUIZOFRENIA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n10p946-956Palavras-chave:
esquizofrenia, desenvolvimento cerebral, sistema endocanabinoide, sintomas psicóticos.Resumo
A associação entre o uso de cannabis e o desenvolvimento de esquizofrenia é um tema complexo e amplamente debatido na literatura científica. Embora não haja uma relação de causa e efeito direta comprovada, estudos consistentes indicam que o uso de cannabis, especialmente em adolescentes e jovens adultos, pode aumentar o risco de desenvolver a doença em indivíduos predispostos. A vulnerabilidade genética desempenha um papel crucial nessa relação. Pessoas com histórico familiar de esquizofrenia ou outras psicopatologias apresentam maior probabilidade de desenvolver a doença se consumirem cannabis. A exposição precoce ao THC, principal componente psicoativo da cannabis, pode afetar o desenvolvimento cerebral, particularmente em áreas como o córtex pré-frontal e o sistema endocanabinoide, que estão envolvidos na regulação do humor, cognição e comportamento. Estudos longitudinais têm demonstrado que o uso frequente e prolongado de cannabis está associado a um risco aumentado de sintomas psicóticos e ao diagnóstico de esquizofrenia. No entanto, é importante ressaltar que nem todos os usuários de cannabis desenvolvem a doença, e outros fatores, como predisposição genética, eventos estressantes da vida e uso de outras substâncias, também podem contribuir para o surgimento da esquizofrenia. A hipótese da “auto-medicação” também é considerada, sugerindo que indivíduos em estágios iniciais da esquizofrenia podem usar cannabis para aliviar sintomas como ansiedade, depressão ou dificuldades de sono. No entanto, essa prática pode, paradoxalmente, exacerbar os sintomas psicóticos a longo prazo.
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Referências
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