Panorama Epidemiológico das Arboviroses no Estado de Goiás: Análise do Período de 2020 a 2025
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2025v7n7p599-631Palavras-chave:
Arboviroses, Saúde Pública, EpidemiologiaResumo
As arboviroses constituem um grave problema de saúde pública em regiões tropicais, como o Brasil, devido ao seu potencial epidêmico e aos impactos sociais, econômicos e sanitários que provocam. No país, dengue, febre Chikungunya e vírus Zika, transmitidos principalmente pelo Aedes aegypti, permanecem como os agravos mais relevantes. Goiás, por suas características climáticas e urbanas, mantém-se vulnerável à disseminação dessas doenças. Este estudo teve como objetivo traçar o panorama epidemiológico das arboviroses, com ênfase na Dengue, Chikungunya e Zika, no estado de Goiás entre 2020 e 2025, identificando padrões de ocorrência, perfis populacionais atingidos e áreas de maior vulnerabilidade. Trata-se de um estudo descritivo, de abordagem quantitativa, baseado na análise de dados secundários provenientes dos sistemas oficiais de vigilância epidemiológica. As informações foram organizadas segundo variáveis sociodemográficas e período de notificação, possibilitando a identificação de tendências e perfis de risco. Os resultados evidenciaram que as arboviroses permanecem como relevantes desafios para a saúde pública goiana, com picos sazonais nos meses de março e abril. Observou-se uma elevada proporção de notificações com variáveis ignoradas, como escolaridade e raça/cor, comprometendo parte das análises. Em relação à febre Chikungunya, foram notificados 27.576 casos um aumento notável no número de ocorrências em quase todas as faixas etárias entre o mês de março e abril, demonstrado assim, uma tendência sazonal semelhante à da dengue. No caso do Zika vírus, a maioria dos casos ocorreu nos meses de janeiro a abril, coincidindo com o aumento das chuvas e das temperaturas, condições propícias para a reprodução dos mosquitos Aedes aegypti. A efetividade das estratégias clínicas e de vigilância refletiu-se ao alto número de recuperados frente aos óbitos. Conclui-se que, embora haja avanços no enfrentamento da dengue em Goiás, persistem desafios relacionados à vigilância contínua, à qualificação dos registros e à ampliação das ações preventivas e educativas, sobretudo junto aos grupos mais vulneráveis e nos períodos de maior incidência.
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