Catarata em crianças: aspectos clínicos e avaliação

Autores

  • CAMILLA MAGANHIN LUQUETTI Faculdade Israelita de Ciências da Saúde Albert Einstein
  • Isabel Caroline Zanatta Pedon Faculdade Atitus Educação - Passo Fundo/RS
  • Paulo Henrique Fabiano Zamora Universidade do Sul de Santa Catarina
  • Tassila Melo Souza de Farias Universidad Maria Serrana/Revalidada: UFRG
  • Ana Clara Abrahão Melo Centro Universitário IMEPAC - Araguari
  • Iara Desirée Vizotto Universidade Brasil (UB)
  • Laís de Albuquerque Pinto Universidade Tiradentes - UNIT/AL
  • Daniel de Brito Pontes UNICEUMA
  • George Moreira de Vasconcelos Filho Centro Universitário UNINOVAFAPI
  • Michelle Freitas Melo UNINTA (Sobral-CE)
  • Maurício Barros de Arruda Mendes Gonçalves Estácio (Idomed) Citta
  • Débora Buss Heidemann Unifenas-BH
  • Victória Scheffer Lumertz Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)
  • Carla Cristina Maganhin Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - FMUSP

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p4372-4383

Palavras-chave:

Catarata, Clínica, Crianças

Resumo

Introdução:  A catarata é a opacidade do cristalino do olho que causa perda visual parcial ou total. É causa comum e frequentemente curável de cegueira em crianças. Sua detecção precoce e intervenção imediata são essenciais para bom resultado visual, principalmente em recém-nascidos. A prevalência relatada de cataratas infantis varia de 1 a 15 por 10.000 crianças. Quando congênita, tem-se prevalência de 1 a 3 por 10.000 crianças, com padrão autossômico dominante em 10 a 25% dos casos. O exame da lâmpada de fenda dos pais biológicos ocasionalmente revelará alterações lentis sutis. Se histórico familiar positivo, deve-se encaminhar diretamente o recém-nascido ao oftalmologista. Em 1/3 dos casos, tem-se causas secundárias e nos 1/3 restantes, fatores idiopáticos. Objetivo: discutir o diagnóstico de catarata em crianças. Metodologia: Revisão de literatura integrativa a partir de bases da Scielo, da PubMed e da BVS, de março a maio de 2024, com descritores “cataracts”, “babies”, “young children” e “pre-teens”, cadastrados no DeCS/MeSH e operador “AND”. Incluíram-se artigos de 2019-2024 (total 46), com exclusão de outros critérios e escolha de 05 artigos na íntegra. Resultados e Discussão: A apresentação clínica varia: reclamação parental (catarata visível ao olho nu por ser anterior); história familiar positiva; desvio do olhar; assimetria do reflexo vermelho; leucocoria (reflexo pupilar branco); nistagmo; estrabismo; fotofobia; atraso no desenvolvimento ou doenças extraoculares. A avaliação do reflexo vermelho em fotografias antigas pode ajudar a determinar a idade de início e no prognóstico visual. As cataratas podem ser estacionárias ou progressivas. A maioria progride, especialmente no período ambliogênico inicial (do nascimento até os 05 anos de idade), quando a ambliopia resulta em mais perda visual e é mais responsiva ao tratamento. O grau de ambliopia depende da densidade da catarata e de sua idade de início. Quanto mais cedo o início da opacificação da lente e quanto mais densa a opacificação, mais profunda a ambliopia resultante. As cataratas visualmente significativas que estão presentes nos primeiros seis meses de vida são uma verdadeira emergência oftálmica. Se não forem tratados, eles resultarão em perda visual irreversível. O acompanhamento oftalmológico regular é crucial para resultados bem-sucedidos em crianças que foram submetidas a cirurgia de catarata. Conclusão: O manejo da catarata depende da idade na apresentação e do potencial de interferência no desenvolvimento visual. Se a catarata for visualmente significativa, o gerenciamento envolve a remoção da lente e a reabilitação óptica/visual, o que é fundamental para prevenir a ambliopia.

 

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Publicado

2024-08-26

Como Citar

MAGANHIN LUQUETTI, C., Isabel Caroline Zanatta Pedon, Paulo Henrique Fabiano Zamora, Tassila Melo Souza de Farias, Ana Clara Abrahão Melo, Iara Desirée Vizotto, Laís de Albuquerque Pinto, Daniel de Brito Pontes, George Moreira de Vasconcelos Filho, Michelle Freitas Melo, Maurício Barros de Arruda Mendes Gonçalves, Débora Buss Heidemann, Victória Scheffer Lumertz, & Carla Cristina Maganhin. (2024). Catarata em crianças: aspectos clínicos e avaliação. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 6(8), 4372–4383. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p4372-4383