Resumo
O desenvolvimento embriológico compreende estágios, de períodos variados, em que o embrião irá desenvolver determinados aspectos morfofisiológicos até alcançar a forma humana, sendo denominado, posteriormente, de feto. Nesse sentido, a relação materno-fetal é um condicionador importante para o desenvolvimento cognitivo do bebê, haja vista que os prejuízos durante a terceira e a quarta semana do desenvolvimento repercutem em diversas alterações morfofuncionais no concepto que se manifestam subsequentemente em distúrbios cognitivos-comportamentais. O presente estudo objetivou traçar uma relação plausível entre o surgimento de distúrbios neurocognitivos, após o nascimento do bebê, e as alterações vivenciadas no decorrer da gestação que ratificam tal teoria. Desse modo, a pesquisa buscou explorar os aspectos fisiopatológicos que cercam a relação materno-fetal durante o período da formação embrionária, reunindo aspectos analíticos dessas condições clínicas, bem como apresentar os desafios vividos pelos indivíduos neurodivergentes no contexto socioeducacional, sobretudo, no que diz respeito ao espectro de ensino-aprendizado. Para isso foi necessário revisitar conceitos específicos sobre a teratogenicidade e o neurodesenvolvimento humano, sendo realizada uma revisão integrativa com moldes qualitativos e quantitativos nas seguintes bases de dados: o Portal de Periódicos CAPES, Latindex, bem como a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), utilizando os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) “Fetal Alcohol Spectrum Disorders”, “Neurocognitive Disorders” e “Fetal Development”, sob recorte temporal de 2014 a 2024. Dada a pesquisa, ficou notório a correlação entre o uso de teratógenos, a exemplo do álcool, do tabaco e de canabinóides no desenvolvimento de lesões encefálicas e de malformações congênitas que promovem distúrbios funcionais do cérebro, culminando, portanto, em dificuldades de comunicação, de expressão, de raciocínio e de interação social. Conclui-se, por fim, que o aumento da neurodiversidade, no país, está intrinsecamente ligada ao aparecimento de distúrbios durante o pré-natal e que tais transtornos neurocognitivos ainda são enxergados como um impasse no processo de ensino-aprendizado seja questões metodológicas, seja pela falta de capacitação dos profissionais no manejo adequado para com essas apresentações.
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