Comunicação de Más Notícias: avaliação da capacitação dos discentes do Curso de Medicina
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2024v6n8p71-84Palavras-chave:
Atitude Frente à Morte, Comunicação de más notícias, Comunicação em Saúde, Cuidados Paliativos, Educação MédicaResumo
A comunicação é uma ferramenta que faz parte da prática médica e quando relacionada às más notícias, torna-se uma tarefa difícil, visto que seu conteúdo pode alterar, negativamente, a concepção do paciente e sua família em relação ao futuro. O presente estudo tem como objetivo caracterizar o nível de conhecimento dos acadêmicos do Curso de Medicina da Faculdade Presidente Antônio Carlos-Porto Nacional sobre a Comunicação de Más Notícias (CMN). Trata-se de um estudo epidemiológico do tipo observacional prospectivo com foco quali-quantitativo, desenvolvido através de um questionário autoaplicável via plataforma Google Forms. O questionário possuía perguntas sobre perfil dos entrevistados, vivência e conhecimento no âmbito das más notícias, assim como métodos oferecidos pela Instituição para desenvolvimento de habilidades em CMN. Participaram da pesquisa 283 estudantes do 1° ao 11° período do Curso de Medicina, em sua maioria mulheres, com média de 18-22 anos. Quanto ao perfil dos acadêmicos avaliados, 44,52% cursavam o período de integralização básico-clínico. Somado a isso, verificou-se que parte significativa dos estudantes não obtiveram capacitação em comunicação de más notícias, além de que os estudantes que já se depararam com essa situação, 86,03% afirmaram não ter realizado a comunicação e 45,58% sentem-se parcialmente preparados para tal conduta. No que se refere aos métodos oferecidos pela Instituição para abordagem da CMN, foi observado que quando presente, aconteceu por meio de aulas teóricas. Dessa forma, conclui-se que a CMN é algo insólito no meio acadêmico e que deve ser preconizada desde o início da graduação médica.
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