Segurança do paciente e Libras: a comunicação inclusiva na Enfermagem reduz barreiras e melhora o cuidado
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n11p173-189Palavras-chave:
Enfermagem; Língua Brasileira de Sinais; Segurança do Paciente; Simulação Clínica; Educação em EnfermagemResumo
Introdução: A comunicação eficaz é alicerce para a segurança do paciente e para a equidade na Enfermagem. Contudo, barreiras linguísticas e comunicacionais nos serviços de saúde vulnerabilizam a pessoa surda, violando preceitos constitucionais e princípios do Sistema Único de Saúde (SUS). O ensino isolado de Libras na graduação evidencia a necessidade de metodologias ativas que integrem a competência intercultural e a simulação clínica à práxis profissional. Objetivos: Analisar a contribuição de uma intervenção formativa contextualizada e mediada por simulações clínicas em Libras no desenvolvimento da autonomia comunicativa e da competência intercultural de graduandos de Enfermagem, discutindo suas implicações para a mitigação de riscos à segurança do paciente surdo. Metodologia: Estudo descritivo na modalidade relato de experiência, referente à extensão universitária "EnferLibras", realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) entre maio e julho de 2025. A intervenção contou com 48 horas de carga horária para estudantes de Enfermagem do 4º ao 9º período. Fundamentada na pedagogia crítico-libertadora de Paulo Freire, a proposta articulou módulos sociolinguísticos, vocabulário aplicado, interação dialógica com estudantes de Letras-Libras e quatro cenários de simulação clínica com atores surdos simulando pacientes. Resultados: A articulação entre o ensino contextualizado de Libras e a simulação clínica favoreceu a mobilização de conhecimentos linguísticos em situações concretas e estimulou a reflexão crítica dos graduandos sobre as barreiras assistenciais e atitudinais. A interação direta com a comunidade surda ampliou a autoconfiança percebida e a sensibilização para a diversidade sociolinguística, evidenciando o papel da comunicação acessível na humanização do cuidado. Conclusões: A intervenção demonstrou ser uma estratégia pedagógica relevante para aproximar graduandos das necessidades comunicacionais da pessoa surda, fomentando o compromisso ético com o SUS. Destaca-se a necessidade de investigações longitudinais com avaliações objetivas para aferir a consolidação e a retenção de competências interculturais na prática profissional.
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