PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS ACIDENTES POR ANIMAIS PEÇONHENTOS NO BRASIL E SUA ASSOCIAÇÃO COM DETERMINANTES SOCIODEMOGRÁFICOS, ESTRUTURAIS E DO ACESSO AOS SERVIÇOS DE SAÚDE
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n10p1406-1417Palavras-chave:
“Animais peçonhentos”; “Acidentes por animais peçonhentos”; “Epidemiologia”; “Determinantes sociodemográficos”; “Acesso aos serviços de saúde”Resumo
INTRODUÇÃO: Os acidentes por animais peçonhentos constituem um importante problema de saúde pública no Brasil, em razão da elevada frequência, distribuição territorial heterogênea e potencial para ocorrência de complicações, incapacidades e óbitos. Esses acidentes apresentam relação com características ambientais, ocupacionais e sociodemográficas, além de serem influenciados pelas condições estruturais dos territórios e pelo acesso oportuno aos serviços de saúde. A análise dos registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), associada a indicadores sociodemográficos, estruturais e de acesso à assistência, permite compreender a distribuição do agravo e as desigualdades existentes entre diferentes populações e territórios. Estudos nacionais demonstram tendência crescente da incidência de acidentes por animais peçonhentos nas últimas décadas, com diferenças importantes entre as regiões brasileiras.OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico dos acidentes por animais peçonhentos no Brasil e sua associação com determinantes sociodemográficos, estruturais e relacionados ao acesso aos serviços de saúde, caracterizando a distribuição dos casos segundo sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade, território de residência, tipo de animal envolvido, características do acidente, tempo até o atendimento, classificação, necessidade de soroterapia e evolução clínica.MATERIAIS E MÉTODOS: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, retrospectivo e analítico, de abordagem quantitativa, baseado em dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Foram considerados os registros de acidentes por animais peçonhentos ocorridos no Brasil no período de 2019 a 2024. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, incluindo sexo, faixa etária, raça/cor, escolaridade e local de residência; características epidemiológicas, como tipo de animal, local e circunstância do acidente; e variáveis relacionadas à assistência, incluindo tempo entre o acidente e o atendimento, classificação do caso, soroterapia e evolução. Os dados epidemiológicos foram relacionados a indicadores estruturais e de acesso aos serviços de saúde, incluindo cobertura da Atenção Primária à Saúde, disponibilidade de estabelecimentos e serviços assistenciais e características socioeconômicas e estruturais dos municípios. Foram realizadas análises descritivas e analíticas, com cálculo de frequências, taxas de incidência e letalidade e avaliação das associações entre as variáveis estudadas.RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram registrados 2.077.461 acidentes entre 2018 e 2024, com maior concentração nas regiões Sudeste e Nordeste e predomínio do sexo masculino. Os membros inferiores foram o principal local de picada. Houve associação significativa entre sexo masculino, acometimento dos membros inferiores e raça/cor não branca com maior ocorrência de óbitos, evidenciando a influência de fatores sociodemográficos e territoriais nos desfechos. CONCLUSÃO: Os acidentes por animais peçonhentos apresentam elevada magnitude e distribuição heterogênea no Brasil, com predomínio do escorpionismo e importantes diferenças epidemiológicas entre os tipos de acidentes e as regiões do país. Os achados evidenciam a relação do agravo com características sociodemográficas, ambientais e estruturais dos territórios, além da importância do acesso oportuno e adequado aos serviços de saúde para a redução de complicações e óbitos. A identificação de populações e territórios mais vulneráveis reforça a necessidade de estratégias integradas de vigilância epidemiológica, prevenção, qualificação da assistência e organização da rede de referência para soroterapia, considerando as particularidades regionais brasileiras.
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Referências
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