Erros diagnósticos em hanseníase na atenção primária: uma revisão sistemática dos principais equívocos clínicos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n10p248-257

Palavras-chave:

Hanseníase, Diagnostico, Atenção Primária à Saúde, Erros diagnósticos

Resumo

A hanseníase permanece como relevante problema de saúde pública em países de média e baixa renda, incluindo o Brasil, apesar da disponibilidade de diagnóstico e tratamento gratuitos no sistema público de saúde. A persistência de casos novos sugere falhas nas estratégias de controle, especialmente na detecção precoce e na interrupção da cadeia de transmissão. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) constitui o principal nível de identificação de casos suspeitos, embora evidências indiquem que o diagnóstico ainda ocorre de forma tardia nesse nível de atenção, associado a erros clínicos que contribuem para progressão da doença e aumento do risco de incapacidades físicas. Este estudo teve como objetivo sintetizar as evidências disponíveis sobre os principais erros diagnósticos relacionados à hanseníase na APS, com ênfase nos fatores clínicos, organizacionais e sociais associados ao diagnóstico tardio. Trata-se de uma revisão sistemática da literatura conduzida segundo as diretrizes PRISMA 2020, com busca nas bases PubMed, SciELO e LILACS, incluindo estudos publicados entre 2020 e 2025 nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram elegíveis estudos observacionais, revisões sistemáticas, revisões de escopo e documentos institucionais que abordassem diagnóstico tardio, falhas diagnósticas ou dificuldades no reconhecimento clínico da hanseníase na APS, sendo excluídos estudos exclusivamente laboratoriais ou terapêuticos. A síntese dos achados foi realizada por análise temática qualitativa. Os resultados demonstram que os erros diagnósticos em hanseníase são multifatoriais e decorrem principalmente da baixa suspeição clínica na Atenção Primária, especialmente em áreas de menor endemicidade, da confusão com dermatoses comuns nas fases iniciais da doença e de falhas na realização do exame dermatoneurológico, sobretudo na avaliação da sensibilidade cutânea e do comprometimento neural periférico. Observam-se ainda limitações organizacionais relevantes, como sobrecarga assistencial, fragmentação do cuidado e fragilidade dos fluxos de referência e contrarreferência, que contribuem para o atraso diagnóstico. Determinantes sociais, incluindo estigma relacionado à doença, vulnerabilidade socioeconômica e barreiras de acesso aos serviços de saúde, também influenciam negativamente a busca precoce por atendimento. Evidências recentes indicam ainda que a pandemia de COVID-19 agravou a subdetecção de casos e contribuiu para o acúmulo de diagnósticos tardios. Conclui-se que os erros diagnósticos em hanseníase na Atenção Primária à Saúde são multifatoriais e refletem a interação entre limitações clínicas, fragilidades organizacionais e determinantes sociais, sendo fundamental o fortalecimento da APS, a qualificação contínua dos profissionais de saúde e o aprimoramento das estratégias de vigilância epidemiológica para redução do diagnóstico tardio e suas consequências.

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Publicado

2026-10-04

Como Citar

de Lara Assis Kazan, M., de Assis Pereira, H., & Graziela de Oliveira Boiça, L. (2026). Erros diagnósticos em hanseníase na atenção primária: uma revisão sistemática dos principais equívocos clínicos. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(10), 248–257. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n10p248-257