Implantes hormonais utilizados com finalidade estética em mulheres: benefícios, efeitos adversos e controvérsias
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n10p153-163Palavras-chave:
implantes hormonais, testosterona, gestrinona, androgênios, estética, saúde da mulher.Resumo
Introdução: O uso de implantes hormonais manipulados com objetivos estéticos, popularmente associados à expressão “chip da beleza”, expandiu-se apesar de incertezas relevantes quanto à eficácia e à segurança. Objetivo: Analisar criticamente as evidências sobre benefícios, efeitos adversos e controvérsias relacionados ao uso de implantes hormonais em mulheres, com ênfase em testosterona e gestrinona utilizadas com finalidade estética. Material e métodos: Revisão integrativa da literatura, com busca estruturada no PubMed/MEDLINE e busca complementar de estudos históricos, revisões sistemáticas, metanálises, estudos farmacocinéticos, diretrizes e documentos regulatórios. A evidência foi distinguida em direta, quando referente a pellets/implantes; indireta, quando referente às mesmas moléculas por outras vias; e contextual, quando proveniente de consensos, diretrizes e regulamentação. Resultados: A testosterona apresenta benefício demonstrado para transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres pós-menopáusicas selecionadas, sobretudo com formulações destinadas a manter concentrações fisiológicas. Esses achados não demonstram benefício estético nem validam pellets com exposição suprafisiológica. Para gestrinona, a literatura sustenta atividade terapêutica em endometriose, mas não demonstra relação benefício-risco favorável para emagrecimento, hipertrofia ou rejuvenescimento. Foram descritos acne, hirsutismo, alopecia, alterações menstruais, amenorreia, sinais de virilização, alterações lipídicas e hepáticas, além de incertezas cardiovasculares e oncológicas de longo prazo. Conclusão: A evidência disponível não sustenta o uso rotineiro de implantes hormonais com finalidade exclusivamente estética. Benefícios terapêuticos de moléculas específicas não devem ser extrapolados para objetivos estéticos, doses suprafisiológicas ou vias não adequadamente avaliadas.
Palavras-chave: implantes hormonais, testosterona, gestrinona, androgênios, estética, saúde da mulher.
Downloads
Referências
Islam RM, Bell RJ, Green S, Page MJ, Davis SR. Safety and efficacy of testosterone for women: a systematic review and meta-analysis of randomised controlled trial data. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019;7(10):754-766. doi:10.1016/S2213-8587(19)30189-5.
Davis SR, Baber R, Panay N, Bitzer J, Perez SC, Islam RM, et al. Global Consensus Position Statement on the Use of Testosterone Therapy for Women. J Clin Endocrinol Metab. 2019;104(10):4660-4666. doi:10.1210/jc.2019-01603.
Parish SJ, Simon JA, Davis SR, Giraldi A, Goldstein I, Goldstein SW, et al. International Society for the Study of Women’s Sexual Health Clinical Practice Guideline for the Use of Systemic Testosterone for Hypoactive Sexual Desire Disorder in Women. Climacteric. 2021;24(6):533-550. doi:10.1080/13697137.2021.1891773.
Glaser R, Kalantaridou S, Dimitrakakis C. Testosterone implants in women: pharmacological dosing for a physiologic effect. Maturitas. 2013;74(2):179-184. doi:10.1016/j.maturitas.2012.11.004.
Pinto da Costa Viana D, Jacobsen L, Gabriel LH, et al. Testosterone Pellets in Women: Revisiting Safety and Clinical Outcomes. Cureus. 2025;17(10):e94442. doi:10.7759/cureus.94442.
Fedele L, Bianchi S, Viezzoli T, Arcaini L, Candiani GB. Gestrinone versus danazol in the treatment of endometriosis. Fertil Steril. 1989;51(5):781-785. doi:10.1016/S0015-0282(16)60666-0.
Gestrinone Italian Study Group. Gestrinone versus a gonadotropin-releasing hormone agonist for the treatment of pelvic pain associated with endometriosis: a multicenter, randomized, double-blind study. Fertil Steril. 1996;66(6):911-919. doi:10.1016/S0015-0282(16)58682-8.
Wang Y, et al. Evaluation of safety and effectiveness of gestrinone in the treatment of endometriosis: a systematic review and meta-analysis. Arch Gynecol Obstet. 2023;307(1):21-37. doi:10.1007/s00404-022-06846-0.
Fagundes VL, Marques NCB, Lima AF, Cobre AF, Tonin FS, Lazo REL, et al. Safety Profile of Gestrinone: A Systematic Review. Pharmaceutics. 2025;17(5):638. doi:10.3390/pharmaceutics17050638.
Mendes KDS, Silveira RCCP, Galvão CM. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto Contexto Enferm. 2008;17(4):758-764. doi:10.1590/S0104-07072008000400018.
American College of Obstetricians and Gynecologists. Compounded Bioidentical Menopausal Hormone Therapy. ACOG Clinical Consensus. Washington (DC): ACOG; 2023. Reaffirmed 2026.
Furlan VA, Hammad MAM, Quesada S, Nguyen S, Yih J. Testosterone therapy for female sexual dysfunction: a systematic review of the literature demonstrating outcomes in premenopausal and postmenopausal women. J Sex Med. 2026;23(8):qdag206. doi:10.1093/jsxmed/qdag206.
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (BR). Implantes hormonais. Brasília (DF): Anvisa; 2024 [atualizado 27 abr 2026; citado 28 set 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/comunicacao/campanhas/estetica/implantes-hormonais.
Conselho Federal de Medicina (BR). Resolução CFM nº 2.333, de 30 de março de 2023. Brasília (DF): CFM; 2023.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Ana Carolina Tocantins Albuquerque, Isadora Cardoso

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores são detentores dos direitos autorais mediante uma licença CCBY 4.0.



