Microbioma Vaginal E Infecção Persistente Pelo HPV: Implicações Na Progressão Das Lesões Cervicais – Revisão Integrativa Da Literatura
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n10p1343-1373Palavras-chave:
Microbioma vaginal, infecção persistente por HPV, progressão de lesão cervicalResumo
Introdução: A persistência da infecção pelo papilomavírus humano de alto risco (hrHPV) representa o principal fator etiológico relacionado ao desenvolvimento do câncer do colo do útero. Paralelamente, evidências têm apontado que a composição do microbioma vaginal pode exercer influência sobre a permanência do vírus e, consequentemente, sobre a evolução das lesões cervicais. Nesse cenário, a diminuição de bactérias do gênero Lactobacillus e a instalação de um quadro de disbiose parecem desempenhar papel relevante nesse processo. Objetivos: Analisar a relação entre o microbioma vaginal, a persistência do HPV e a progressão das lesões cervicais, considerando possíveis mecanismos e aplicações na prevenção e no acompanhamento. Metodologia: Revisão integrativa, exploratória e qualitativa, realizada na PubMed, com estudos em inglês, português e espanhol publicados entre 2021 e 2026, seguindo o PRISMA. Foram identificados 32 estudos, dos quais 12 foram incluídos na análise. Resultados: De maneira geral, os estudos analisados apontaram uma relação entre modificações na composição do microbioma vaginal, persistência do hrHPV e evolução das lesões cervicais. A presença predominante de Lactobacillus, sobretudo Lactobacillus crispatus, esteve associada a um ambiente vaginal mais protetor. Em contrapartida, a diminuição dessas bactérias, acompanhada pelo aumento da diversidade microbiana e da presença de microrganismos como Gardnerella, Prevotella, Sneathia e Atopobium, mostrou-se relacionada à disbiose, à inflamação local e ao desenvolvimento de lesões de maior gravidade. Além disso, foram identificadas modificações tanto na resposta imunológica quanto nas funções metabólicas desempenhadas pelo microbioma. Conclusão: Em conjunto, os achados sugerem uma associação entre a disbiose vaginal, a manutenção da infecção pelo HPV e a progressão das lesões cervicais. Dessa forma, o microbioma vaginal apresenta potencial para atuar como biomarcador e, futuramente, como possível alvo de estratégias complementares voltadas à prevenção e ao acompanhamento. Contudo, ainda são necessários estudos longitudinais e investigações mecanísticas mais aprofundadas, sobretudo para esclarecer a relação de causalidade e determinar a real aplicabilidade clínica desses achados.
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