Manejo anestésico em Pacientes com Esclerose Múltipla: Evidências Atuais e Implicações Clínicas
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p1480-1496Palavras-chave:
Esclerose Múltipla; Anestesia; Anestesia Neuraxial; Anestesia Geral; Manejo Perioperatório; Complicações NeurológicasResumo
Introdução: A esclerose múltipla (EM) é uma doença inflamatória e desmielinizante do sistema nervoso central que pode cursar com déficits motores, sensitivos, visuais e autonômicos. O manejo anestésico desses pacientes exige avaliação individualizada, principalmente pela possibilidade de alterações neurológicas preexistentes, disfunção respiratória, espasticidade e maior sensibilidade a fatores perioperatórios. Objetivo: Revisar as evidências atuais sobre o manejo anestésico de pacientes com EM, destacando avaliação pré-operatória, escolha da técnica anestésica, cuidados intraoperatórios e acompanhamento pós-operatório. Metodologia: Foi realizada revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), priorizando revisões sistemáticas, estudos observacionais e recomendações de sociedades médicas reconhecidas. Foram selecionadas publicações relacionadas à anestesia geral, técnicas neuraxiais, complicações neurológicas e evolução pós-operatória em indivíduos com EM. Discussão/Resultados: A avaliação pré-anestésica deve documentar o estado neurológico basal, incluindo déficits motores, sensitivos, função autonômica e capacidade respiratória, permitindo diferenciar alterações preexistentes de possíveis complicações pós-operatórias. A anestesia geral pode ser utilizada quando indicada, com atenção à função respiratória, temperatura e interações medicamentosas. A hipertermia deve ser evitada, pois o aumento da temperatura corporal pode agravar temporariamente sintomas neurológicos. As técnicas neuraxiais não devem ser consideradas automaticamente contraindicadas. Revisões sistemáticas indicam baixo risco de complicações neurológicas graves, embora a avaliação individual seja fundamental. Evidências recentes envolvendo mais de 2.300 pacientes sugerem perfil de segurança aceitável para anestesia neuraxial, sem associação consistente com aumento de recaídas. A anestesia epidural pode ser considerada conforme indicação clínica, enquanto a escolha da anestesia subaracnoidea deve levar em conta extensão da doença e condições neurológicas prévias. No pós-operatório, recomenda-se monitorização neurológica, controle adequado da dor, temperatura e fatores capazes de precipitar piora funcional. Conclusão: O manejo anestésico na EM deve ser individualizado e baseado no estado neurológico, procedimento e técnica planejada. As evidências disponíveis não sustentam contraindicação absoluta à anestesia neuraxial, reforçando a importância da avaliação pré-operatória, prevenção de hipertermia e vigilância pós-operatória.
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