DA AUTONOMIA AO TRAUMA
Violência obstétrica e suas repercussões na saúde mental da mulher
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p1293-1311Palavras-chave:
Violência obstétrica; Medicalização do parto; Saúde mental materna; Parto humanizado; Autonomia femininaResumo
A violência obstétrica constitui uma grave violação dos direitos humanos das mulheres, com repercussões que podem se estender além do parto e comprometer a saúde física, emocional e psicológica materna. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os impactos da violência obstétrica durante o trabalho de parto, com ênfase nas consequências psicológicas, nos fatores associados e nas estratégias de prevenção no ambiente hospitalar. A pesquisa, de caráter bibliográfico e descritivo, foi estruturada com base na estratégia PICO e utilizou descritores relacionados à violência obstétrica, saúde obstétrica, parto humanizado, saúde mental materna e impactos psicológicos, combinados pelo operador booleano AND. Após as etapas de identificação, triagem e elegibilidade, 13 artigos compuseram a amostra final. Os estudos analisados mostraram que a violência obstétrica pode ocorrer por meio de práticas verbais, físicas, institucionais e sexuais, além de negligência, comunicação inadequada, invasão de privacidade, restrição da autonomia e realização de procedimentos sem consentimento informado. Entre os principais impactos psicológicos foram identificados ansiedade, depressão pós-parto, transtorno de estresse pós-traumático, medo, culpa, tristeza, humilhação, baixa autoestima e sofrimento emocional persistente. Essas consequências podem prejudicar o vínculo materno-infantil, a adaptação à maternidade e a confiança nos serviços de saúde. Também se observou maior vulnerabilidade entre mulheres negras, adolescentes, com baixa escolaridade, usuárias do sistema público e em situação socioeconômica desfavorável. A medicalização excessiva do parto, associada ao uso indiscriminado de cesarianas, episiotomias, ocitocina e outras intervenções, reforça um modelo assistencial centrado no controle do corpo feminino. Além disso, a sobrecarga das equipes, as estruturas precárias e as relações hierarquizadas favorecem a naturalização de práticas autoritárias e dificultam decisões compartilhadas no parto. Conclui-se que o enfrentamento da violência obstétrica exige qualificação profissional, comunicação efetiva, consentimento informado, protocolos baseados em evidências, melhores condições institucionais e valorização da autonomia e do protagonismo feminino.
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