DA AUTONOMIA AO TRAUMA

Violência obstétrica e suas repercussões na saúde mental da mulher

Autores

  • Elayne Milhomem da Silva Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)
  • Giovanna Gabriely Fernandes Teodoro Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)
  • Marcelo Vinicius Costa Amorim Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas) https://orcid.org/0000-0001-8916-7779

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p1293-1311

Palavras-chave:

Violência obstétrica; Medicalização do parto; Saúde mental materna; Parto humanizado; Autonomia feminina

Resumo

A violência obstétrica constitui uma grave violação dos direitos humanos das mulheres, com repercussões que podem se estender além do parto e comprometer a saúde física, emocional e psicológica materna. Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de uma revisão integrativa da literatura, os impactos da violência obstétrica durante o trabalho de parto, com ênfase nas consequências psicológicas, nos fatores associados e nas estratégias de prevenção no ambiente hospitalar. A pesquisa, de caráter bibliográfico e descritivo, foi estruturada com base na estratégia PICO e utilizou descritores relacionados à violência obstétrica, saúde obstétrica, parto humanizado, saúde mental materna e impactos psicológicos, combinados pelo operador booleano AND. Após as etapas de identificação, triagem e elegibilidade, 13 artigos compuseram a amostra final. Os estudos analisados mostraram que a violência obstétrica pode ocorrer por meio de práticas verbais, físicas, institucionais e sexuais, além de negligência, comunicação inadequada, invasão de privacidade, restrição da autonomia e realização de procedimentos sem consentimento informado. Entre os principais impactos psicológicos foram identificados ansiedade, depressão pós-parto, transtorno de estresse pós-traumático, medo, culpa, tristeza, humilhação, baixa autoestima e sofrimento emocional persistente. Essas consequências podem prejudicar o vínculo materno-infantil, a adaptação à maternidade e a confiança nos serviços de saúde. Também se observou maior vulnerabilidade entre mulheres negras, adolescentes, com baixa escolaridade, usuárias do sistema público e em situação socioeconômica desfavorável. A medicalização excessiva do parto, associada ao uso indiscriminado de cesarianas, episiotomias, ocitocina e outras intervenções, reforça um modelo assistencial centrado no controle do corpo feminino. Além disso, a sobrecarga das equipes, as estruturas precárias e as relações hierarquizadas favorecem a naturalização de práticas autoritárias e dificultam decisões compartilhadas no parto. Conclui-se que o enfrentamento da violência obstétrica exige qualificação profissional, comunicação efetiva, consentimento informado, protocolos baseados em evidências, melhores condições institucionais e valorização da autonomia e do protagonismo feminino.

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Biografia do Autor

Elayne Milhomem da Silva, Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)

Graduanda em Enfermagem pelas Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)

Giovanna Gabriely Fernandes Teodoro, Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)

Graduanda em Enfermagem pela Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)

Marcelo Vinicius Costa Amorim, Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas)

Doutor em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal de Catalão. Graduado em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás. Professor e orientador dos cursos de Psicologia e Enfermagem da Faculdades Integradas da América do Sul - INTEGRA (Caldas Novas).

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Publicado

2026-09-21

Como Citar

Silva, E. M. da, Teodoro, G. G. F., & Amorim, M. V. C. (2026). DA AUTONOMIA AO TRAUMA : Violência obstétrica e suas repercussões na saúde mental da mulher. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(9), 1293–1311. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p1293-1311