Ambliopia na infância: de uma doença monocular a um distúrbio do desenvolvimento binocular
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p1251-1260Palavras-chave:
Ambliopia; Visão Binocular; Transtornos da Visão; Criança; Diagnóstico.Resumo
A ambliopia infantil é tradicionalmente definida pela redução da acuidade visual decorrente de alterações ocorridas durante o desenvolvimento visual, sendo historicamente abordada como um distúrbio predominantemente monocular. Evidências recentes, entretanto, têm ampliado essa concepção ao demonstrar alterações da função binocular, incluindo supressão interocular, redução da estereopsia e comprometimentos funcionais que ultrapassam a acuidade visual. O objetivo deste estudo foi analisar as evidências contemporâneas sobre a ambliopia infantil, com ênfase em sua fisiopatologia binocular, manifestações funcionais, estratégias diagnósticas e perspectivas terapêuticas. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de caráter descritivo e exploratório, realizada mediante busca nas bases PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, considerando publicações entre 2020 e 2026, nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram analisados estudos relacionados à fisiopatologia, função binocular, diagnóstico, tratamento convencional e terapias emergentes. A literatura evidencia uma transição do modelo centrado exclusivamente na acuidade visual para uma compreensão multidimensional da ambliopia como distúrbio do desenvolvimento binocular. Embora a correção refracional, oclusão e penalização farmacológica permaneçam eficazes, abordagens dicópticas e outras terapias binoculares apresentam resultados promissores, porém heterogêneos e ainda insuficientes para substituir sistematicamente os tratamentos estabelecidos. Conclui-se que a avaliação da ambliopia infantil deve incorporar parâmetros da função binocular e aspectos funcionais, associados à avaliação da acuidade visual, favorecendo uma abordagem individualizada e orientada pela etiologia.
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