INFARTO CEREBRAL NO SUS: TENDÊNCIAS DA CARGA HOSPITALAR E DESIGUALDADES TERRITORIAIS NO BRASIL, 2015–2025
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n10p463-491Palavras-chave:
Infarto cerebral, Hospitalização, Mortalidade Hospitalar, Sistema Único de Saúde, Estudos de Séries TemporaisResumo
Objetivo: Analisar a evolução temporal e a distribuição epidemiológica das internações por infarto cerebral financiadas pelo Sistema Único de Saúde no Brasil entre 2015 e 2025, segundo sexo, faixa etária, raça/cor, caráter do atendimento e Unidade da Federação, bem como os indicadores de mortalidade hospitalar, permanência e valores registrados. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, retrospectivo, descritivo e analítico, realizado com dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde. Foram incluídas as Autorizações de Internação Hospitalar com diagnóstico principal correspondente ao código I63 da Classificação Internacional de Doenças. Os denominadores populacionais foram obtidos nas projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Calcularam-se taxas por 100 mil habitantes, letalidade hospitalar, permanência média e valores registrados, corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo para dezembro de 2025. As tendências foram estimadas por regressão de Prais-Winsten e expressas pela variação percentual anual, com intervalos de confiança de 95%. Resultados: Foram registradas 248.146 internações e 36.312 óbitos hospitalares, com letalidade acumulada de 14,63%. Entre 2015 e 2025, o número de internações aumentou 56,4%, enquanto a taxa de internação passou de 8,98 para 13,32 por 100 mil habitantes, correspondendo a uma variação percentual anual de 3,50% (IC95%: 2,15–4,87). As tendências da taxa de óbitos hospitalares e da letalidade permaneceram estacionárias. Os homens apresentaram maior taxa de internação que as mulheres, inclusive após padronização etária. As taxas e a letalidade aumentaram acentuadamente com a idade, alcançando, entre pessoas com 80 anos ou mais, 95,12 internações por 100 mil pessoas-ano e letalidade de 22,62%. Os atendimentos de urgência corresponderam a 96,8% das internações. Houve ampla heterogeneidade entre as Unidades da Federação, com taxas médias anuais variando de 0,80 por 100 mil pessoas-ano no Amapá a 38,24 em Roraima. O valor total corrigido registrado foi de R$ 693,5 milhões, com valor médio de R$ 2.794,70 por internação e tendência estacionária. Conclusão: As internações por infarto cerebral aumentaram consistentemente no SUS, sem tendência estatisticamente significativa de redução da taxa de óbitos hospitalares ou da letalidade hospitalar. A concentração da carga nas idades avançadas e as expressivas desigualdades territoriais reforçam a necessidade de fortalecer a prevenção cardiovascular, ampliar equitativamente a atenção especializada ao AVC e qualificar os registros hospitalares. Os resultados representam internações registradas, não incidência populacional ou risco individual de AVC isquêmico.
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