ESÔFAGO DE BARRETT E PREVENÇÃO DO ADENOCARCINOMA ESOFÁGICO: UMA REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p942-973Palavras-chave:
Esôfago de Barrett; Adenocarcinoma esofágico; Refluxo gastroesofágico; Displasia; Endoscopia digestiva alta; Prevenção do câncer;Resumo
O esôfago de Barrett (EB) é uma condição metaplásica adquirida na qual o epitélio escamoso estratificado normal do esôfago distal é substituído por epitélio colunar especializado, frequentemente associado à presença de metaplasia intestinal. Essa alteração está fortemente relacionada à doença do refluxo gastroesofágico e constitui o principal precursor reconhecido do adenocarcinoma esofágico (AE). Embora apenas uma parcela dos indivíduos com EB evolua para neoplasia, a presença de displasia, especialmente de alto grau, representa importante marcador de progressão. O objetivo desta revisão é analisar os principais aspectos relacionados à fisiopatologia, aos fatores de risco, ao diagnóstico, à estratificação de risco, à vigilância endoscópica e às estratégias atuais de prevenção do adenocarcinoma esofágico em indivíduos com EB. Foi realizada revisão narrativa da literatura, com busca de diretrizes internacionais, estudos clínicos, estudos observacionais e revisões sistemáticas disponíveis em bases bibliográficas, com ênfase em publicações indexadas no PubMed e em documentos das sociedades American College of Gastroenterology (ACG), American Gastroenterological Association (AGA) e European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE). A literatura demonstra que a progressão neoplásica é multifatorial e depende da interação entre características clínicas, extensão do segmento metaplásico, presença e grau de displasia, sexo, idade, obesidade, tabagismo e outros fatores. A terapia com inibidores da bomba de prótons constitui componente importante do manejo clínico, enquanto a terapia endoscópica de erradicação apresenta papel central nos casos de displasia confirmada e neoplasia superficial. A vigilância endoscópica permanece importante, embora a magnitude de seu benefício sobre mortalidade ainda seja objeto de discussão. Estratégias emergentes incluem biomarcadores, sistemas de inteligência artificial, técnicas avançadas de imagem e modelos individualizados de predição de risco. Conclui-se que a prevenção do adenocarcinoma esofágico em pacientes com EB deve ser individualizada, combinando controle do refluxo, modificação de fatores de risco, avaliação histopatológica adequada, vigilância endoscópica conforme o risco e tratamento precoce das lesões displásicas ou neoplásicas.
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