ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS PARA O MANEJO DO SANGRAMENTO UTERINO ANORMAL EM USUÁRIAS DO IMPLANTE SUBDÉRMICO DE ETONOGESTREL
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n9p508-519Palavras-chave:
Implante subdérmico, Etonogestrel, Sangsangramento uterino anormal, Contracepção, ProgestágenosResumo
Introdução: O implante subdérmico de etonogestrel (ENG) é um método contraceptivo reversível de longa duração altamente eficaz, mas seu uso está associado a padrões imprevisíveis de sangramento uterino, principal causa de descontinuação precoce. Objetivo: Sintetizar e analisar criticamente as evidências científicas mais recentes sobre as estratégias terapêuticas disponíveis para o manejo do sangramento uterino anormal (SUA) em usuárias do implante de ENG. Metodologia: Realizou-se revisão sistemática da literatura nas bases PubMed/MEDLINE, LILACS e SciELO, priorizando estudos publicados entre 2021 e 2026, complementados por ensaios clínicos randomizados historicamente relevantes quando necessário para a compreensão do estado da arte. Foram incluídos ensaios clínicos randomizados, revisões sistemáticas, protocolos Cochrane e estudos observacionais relevantes que avaliassem intervenções farmacológicas ou não farmacológicas para o SUA associado ao implante de ENG. Resultados: Foram selecionados 15 estudos primários e secundários. O acetato de noretisterona oral (10 mg/dia) demonstrou o maior benefício terapêutico consistente, com cessação do sangramento em 86,7% das usuárias versus 48,9% no grupo placebo. O tamoxifeno mostrou benefício modesto, porém estatisticamente significativo, sobre a satisfação e a duração da amenorreia. Os contraceptivos orais combinados interrompem o sangramento rapidamente, mas com recidiva precoce após a suspensão. O ácido tranexâmico e a curcumina não demonstraram eficácia superior ao placebo nos ensaios mais recentes. O acetato de ulipristal apresenta plausibilidade biológica, mas evidências randomizadas ainda inconsistentes. O aconselhamento pré-inserção estruturado permanece a intervenção mais custo-efetiva para reduzir a descontinuação. Discussão: A heterogeneidade fisiopatológica do sangramento induzido por progestágeno explica, em parte, a resposta terapêutica variável entre as intervenções estudadas. Conclusão: Não existe, até o momento, uma terapia universalmente eficaz para o SUA associado ao implante de ENG. O acetato de noretisterona apresenta o perfil de evidência mais robusto para o tratamento agudo, devendo o aconselhamento continuar sendo a base do manejo preventivo. Novos ensaios clínicos com desfechos padronizados são necessários.
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