Rinite Medicamentosa: Estratégias de Desmame e Manejo Clínico Baseado em Evidências
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1694-1710Palavras-chave:
Rinite medicamentosa; Descongestionantes nasais; Efeito rebote; Corticosteroides intranasais; Obstrução nasal; Desmame terapêuticoResumo
Introdução: A rinite medicamentosa é uma forma de obstrução nasal associada ao uso prolongado e inadequado de descongestionantes tópicos vasoconstritores. A exposição contínua pode provocar efeito rebote, caracterizado por piora progressiva da congestão após redução do efeito farmacológico. O quadro pode estabelecer um ciclo de uso repetitivo, dificultando a suspensão do medicamento e comprometendo a qualidade de vida. O reconhecimento precoce e a orientação adequada são fundamentais para interromper esse ciclo e restabelecer a função nasal. Objetivo: Revisar as principais estratégias de desmame dos descongestionantes tópicos e as medidas terapêuticas utilizadas no manejo da rinite medicamentosa. Metodologia: Foi realizada revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram considerados artigos científicos, revisões e recomendações de sociedades médicas reconhecidas, incluindo publicações relacionadas à rinite, uso de descongestionantes e corticosteroides intranasais. Discussão/Resultados: O tratamento tem como principal objetivo interromper o uso do descongestionante tópico responsável pelo efeito rebote. A suspensão pode ser realizada de maneira abrupta ou gradual, conforme o grau de dependência, intensidade da obstrução e tolerância do paciente. Em determinados casos, o desmame progressivo, inclusive com redução do uso para apenas uma narina inicialmente, pode facilitar a retirada completa. Corticosteroides intranasais são frequentemente utilizados durante esse período para reduzir a inflamação e aliviar a congestão, favorecendo a adesão ao tratamento. Lavagens nasais com solução salina também podem proporcionar melhora sintomática. A identificação e o tratamento de condições associadas, como rinite alérgica ou desvio do septo nasal, são importantes para reduzir o risco de recorrência. A educação do paciente representa etapa essencial, principalmente para explicar que o descongestionante oferece alívio imediato, mas seu uso prolongado perpetua a obstrução. Conclusão: A rinite medicamentosa requer reconhecimento do uso excessivo de descongestionantes e intervenção direcionada à interrupção do ciclo de dependência. O desmame individualizado, associado ao uso de corticosteroides intranasais, higiene nasal e tratamento das causas subjacentes, pode favorecer a recuperação da função nasal e prevenir recorrências.
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