Alterações Endócrinas Induzidas por Esteroides Anabolizantes em Atletas: Atualizações sobre Diagnóstico, Manejo e Prevenção
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1678-1693Palavras-chave:
Esteroides anabolizantes; Atletas; Sistema endócrino; Hipogonadismo; Testosterona; PrevençãoResumo
Introdução: O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (EAA) em doses suprafisiológicas é uma prática associada à busca por aumento de massa muscular e desempenho esportivo. Apesar de seus efeitos anabólicos, essas substâncias podem interferir profundamente no funcionamento endócrino, cardiovascular, hepático e reprodutivo. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia destaca que não existe dose considerada segura para utilização inadequada com finalidade estética ou de performance. Objetivo: Revisar as principais alterações endócrinas relacionadas ao uso de EAA em atletas, enfatizando diagnóstico, manejo clínico e estratégias preventivas. Metodologia: Foi realizada revisão narrativa da literatura nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), complementada pela análise de recomendações da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Sociedade Brasileira de Cardiologia e Endocrine Society. Foram priorizados trabalhos relacionados às alterações hormonais, complicações clínicas, diagnóstico e prevenção do uso inadequado de EAA. Discussão/Resultados: Os EAA promovem supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, reduzindo a secreção de LH e FSH e comprometendo a produção endógena de testosterona e espermatozoides. Em homens, podem ocorrer atrofia testicular, infertilidade, redução da libido e ginecomastia; nas mulheres, irregularidade menstrual, hirsutismo, acne, alopecia e virilização. O diagnóstico deve considerar história de uso, manifestações clínicas e avaliação hormonal, incluindo testosterona, LH e FSH, além de exames direcionados às possíveis complicações. Também são relevantes alterações lipídicas, hipertensão, eritrocitose e efeitos cardiovasculares potencialmente graves. O manejo deve priorizar a interrupção do uso e acompanhamento médico individualizado. A recuperação hormonal pode ocorrer após a suspensão, embora o tempo seja variável e alguns pacientes apresentem alterações prolongadas. A prevenção depende de educação em saúde, orientação esportiva adequada e combate à banalização dessas substâncias. Conclusão: O uso inadequado de EAA pode provocar alterações endócrinas relevantes e complicações sistêmicas. O reconhecimento precoce, a avaliação hormonal e o acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para reduzir danos. Estratégias educativas e preventivas devem ser fortalecidas no ambiente esportivo.
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