ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DOS ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS NO BRASIL, 2015–2020

Autores

  • Sthefani Kangerski Universidade de Rio Verde
  • Bárbara Barcelos Arrighi
  • Amanda Luísa Francenschet
  • Tiago Antônio Cardoso Rocha
  • Gabriel Monteiro Bueno
  • Júlia Monteiro Bueno
  • Pedro Henrique Girotto Barros
  • Lara Cândida de Sousa Machado

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1638-1648

Palavras-chave:

Epidemiologia, Picadas de Escorpião, Mordeduras de Serpentes, Animais Venenosos, Sistemas de Informação em Saúde

Resumo

INTRODUÇÃO: Os acidentes por animais peçonhentos constituem agravo relevante de saúde pública nos países tropicais. A magnitude do problema levou a Organização Mundial da Saúde a incluir o envenenamento ofídico, em 2009, na lista de Doenças Tropicais Negligenciadas; o agravo foi retirado da lista em 2013 e nela reincorporado em junho de 2017, como prioridade máxima. OBJETIVOS: Descrever o perfil epidemiológico dos acidentes por animais peçonhentos notificados no Brasil entre 2015 e 2020. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo transversal, descritivo, de abordagem quantitativa, com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), obtidos no Departamento de Informática do SUS (DATASUS); calculou-se o coeficiente médio anual de incidência por 100,000 habitantes com população do IBGE. RESULTADOS: Foram notificados 1,367,977 acidentes, 20.89% deles em 2019 — ano com mais registros. A raça/cor parda foi a mais acometida (46.41%), seguida da branca (34.39%), com predomínio do sexo masculino (55.09%). O maior número absoluto de casos ocorreu no Sudeste (522,322; 38.18%), mas o maior coeficiente médio anual de incidência foi observado no Nordeste (136.5 casos/100,000 hab.), acima da média nacional (108.5). O tipo de acidente mais frequente foi o escorpiônico (779,796; 57.00%); entre as serpentes predominou o gênero Bothrops (70.14%) e, entre os acidentes por aranhas, o gênero Loxosceles (24.36%); as abelhas ocuparam a quarta posição (7.68%). A maioria dos casos foi classificada como leve (83.05%) e 92.60% evoluíram para cura; registraram-se 1,775 óbitos pelo agravo. CONCLUSÃO: Os acidentes por animais peçonhentos mantêm elevada magnitude no Brasil, com predomínio do escorpionismo e perfil de homens pardos residentes no Sudeste em números absolutos, embora a maior incidência relativa ocorra no Nordeste. Entre os casos graves, 4.14% evoluíram para óbito. A baixa letalidade convive com elevada proporção de campos ignorados, o que reforça a necessidade de qualificar a notificação.

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Referências

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Publicado

2026-08-27

Como Citar

Kangerski, S., Arrighi, B. B., Francenschet, A. L., Rocha, T. A. C., Bueno, G. M., Bueno, J. M., Barros, P. H. G., & Machado, L. C. de S. (2026). ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DOS ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS NO BRASIL, 2015–2020. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(8), 1638–1648. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1638-1648