Associação dose-resposta entre o volume semanal de exercício físico de lazer e a prevalência de depressão: uma análise dos microdados do VIGITEL (2021-2024)
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p1437-1456Palavras-chave:
Depressão; Exercício Físico; Prevalência; Associação.Resumo
Introdução: Apesar das evidências consistentes sobre a associação entre exercício físico e melhores indicadores de saúde mental, ainda há lacunas quanto à magnitude e à consistência dessa associação em amostras populacionais brasileiras. Metodologia: Trata-se de estudo transversal com adultos ≥ 18 anos (n = 48.041). O desfecho foi o diagnóstico autorreferido de depressão, já a exposição, o volume semanal de atividade física no lazer, dicotomizada em "ativos" (≥ 150 minutos/semana) ou "sedentários" (<150), com outros pontos de corte exploratórios adicionais para ativos (≥ 300; ≥ 420 minutos/semana). Resultados: Entre aqueles com <150 min/semana, a prevalência foi de 13,47%, comparada a 9,93% entre os fisicamente ativos (≥150 min/semana), correspondendo a RP de 1,36 (IC95%: 1,28–1,43; p<0,001). Considerando o ponto de corte de 300 min/semana, a prevalência foi de 12,80% entre os indivíduos com <300 min/semana e 8,81% entre aqueles com ≥300 min/semana (RP=1,45; IC95%: 1,35–1,56; p<0,001). Adotando o corte de ≥ 420 minutos para ativos, observou-se que o grupo < 150 min apresenta prevalência 67% maior de depressão (RP = 1,67; IC95%: 1,48–1,89; p < 0,001), que o grupo 150–299 min apresenta prevalência 34% maior (RP = 1,34; IC95%: 1,18–1,54; p < 0,001), e que o estrato de 300–419 min apresenta prevalência 15% maior, sem significância estatística (RP = 1,15; IC95%: 0,99–1,33; p = 0,070), em comparação à categoria de referência. Adicionalmente, o teste de tendência linear confirmou a associação dose-resposta (RP = 0,83 por categoria; IC95%: 0,82–0,85; p < 0,001). Conclusão: a prática de exercício físico de lazer esteve associada, em maiores volumes semanais, a menores prevalências de depressão autorreferida.
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