Câncer bucal em adultos jovens no Brasil: análise dos registros nacionais de 2015 a 2025
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p615-655Palavras-chave:
Neoplasias Bucais, Adulto Jovem, Epidemiologia, Odontologia, BrasilResumo
O câncer bucal permanece como importante problema de saúde pública no Brasil, em razão de sua magnitude epidemiológica, do diagnóstico frequentemente tardio e de seus impactos funcionais, estéticos e psicossociais. Tradicionalmente, a neoplasia é associada a homens com mais de 50 anos e exposição prolongada ao tabaco e ao álcool; entretanto, publicações recentes têm ampliado a discussão sobre sua ocorrência em adultos jovens. O objetivo deste estudo foi analisar o perfil epidemiológico dos registros de câncer bucal em adultos jovens no Brasil, articulando dados secundários nacionais e literatura científica. Trata-se de estudo descritivo, de abordagem quantitativa, apoiado em revisão narrativa. Utilizaram-se dados do Painel-Oncologia Brasil relativos às neoplasias malignas codificadas de C00 a C06 (CID-10), de 2015 a 2025, segundo ano de diagnóstico, faixa etária, sexo e unidade federativa de residência, complementados por estimativas de incidência e mortalidade do Instituto Nacional de Câncer. Registraram-se 100.957 casos no período, com predomínio masculino (69,8%), concentração nas faixas de 50 anos ou mais (81,8%) e maior volume de registros no Sudeste (44,9%) e no Sul (21,5%). Os casos de 20 a 44 anos somaram 10.296 (10,3%), afastando a noção de evento raro. A elevação dos registros a partir de 2018 coexiste com tendência estacionária ou decrescente da mortalidade em adultos jovens, o que sugere participação relevante da ampliação da captação dos sistemas de informação. Conclui-se que não há substituição do perfil clássico, mas ampliação de sua complexidade, sendo indispensável distinguir analiticamente cavidade oral e orofaringe e fortalecer a suspeição clínica em faixas etárias mais jovens.
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