HOSPITALIZAÇÕES POR INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO NO BRASIL QUASE DOBRARAM EM UMA DÉCADA, ENQUANTO A MORTALIDADE HOSPITALAR DIMINUIU: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO NACIONAL, 2015–2026

Autores

  • Mateus de Castro Paiva Centro Universitário Integrado https://orcid.org/0009-0005-1744-8607
  • Lívia Devequi Dallazem Centro Universitário Integrado
  • Guilherme Farias Bitencourt Centro Universitário Integrado https://orcid.org/0009-0009-3320-7044
  • Samuel Roberto Sabadin Hensel Centro Universitário Integrado
  • Camile Soavinski Nogarolli Centro Universitário Integrado
  • Elis Marina Rodrigues da Silva Centro Universitário Integrado
  • Kaiane Toledo Centro Universitário Integrado
  • Pedro Henrique Rossi Centro Universitário Integrado
  • Luís Felipe Gasparoto Pereira Centro Universitário Integrado
  • Amanda Gabryella Marholt Centro Universitário Integrado
  • José Tadeu Aranha Nunes Centro Universitário Integrado
  • Débora Farina Ribeiro Centro Universitário Integrado
  • Ana Julia Borgio Bonotto Centro Universitário Integrado
  • Paulo Henrique Rangel de Moura Centro Universitário Integrado
  • Gregório dos Reis Veiga Unicesumar
  • Ellen Cristina Prado Ducini Centro Universitário Integrado
  • Vitória Vital da Silva Rocha Centro Universitário Integrado
  • Rafael Scaraboto Centro Universitário Integrado
  • Matheus Augusto Morciani Unicesumar
  • Enzo Patrick de Oliveira Salvador Centro Universitário Integrado

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p126-154

Palavras-chave:

Infarto do Miocárdio, Hospitalização, Epidemiologia, Mortalidade Hospitalar, Sistema Único de Saúde

Resumo

Objetivo: Analisar a evolução temporal das hospitalizações por infarto agudo do miocárdio (IAM) no Brasil entre janeiro de 2015 e maio de 2026, caracterizando o perfil demográfico e geográfico das internações, a mortalidade hospitalar, o tempo médio de permanência e os custos associados. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, retrospectivo, descritivo e analítico, realizado com dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), disponibilizados pelo Departamento de Informática do SUS (DATASUS). Foram incluídas todas as Autorizações de Internação Hospitalar processadas entre janeiro de 2015 e maio de 2026 cujo diagnóstico principal correspondia ao código I21 — infarto agudo do miocárdio — da Classificação Internacional de Doenças, 10ª Revisão. Foram analisados o número de internações, a distribuição temporal, o sexo, a faixa etária, a raça/cor, a distribuição geográfica, os óbitos hospitalares, a taxa de mortalidade, o tempo médio de permanência e os valores total e médio das internações. Os anos completos de 2015 a 2025 foram utilizados nas comparações temporais, enquanto os dados de 2026, disponíveis apenas até maio, foram apresentados separadamente. As taxas regionais de hospitalização foram ajustadas por idade pelo método direto, utilizando-se a população brasileira projetada para 2022 como população-padrão. Os valores financeiros foram expressos em reais correntes, sem correção inflacionária. Por utilizar dados públicos, agregados e sem identificação individual, o estudo dispensa apreciação por Comitê de Ética em Pesquisa. Resultados: Entre janeiro de 2015 e maio de 2026, foram registradas 1.643.445 hospitalizações por IAM. Considerando os anos completos, o número anual de internações aumentou 97,4%, passando de 101.208 em 2015 para 199.819 em 2025. Houve discreta redução em 2020, com 130.441 internações, em comparação a 131.199 em 2019, seguida de retomada do crescimento. Entre janeiro e maio de 2026, foram registradas 85.039 internações. As hospitalizações concentraram-se nas faixas de 60 a 69 anos (510.870; 31,1%), 50 a 59 anos (389.200; 23,7%) e 70 a 79 anos (355.013; 21,6%). O sexo masculino respondeu por 1.044.671 internações (63,6%), e o feminino por 598.774 (36,4%). Quanto à raça/cor, foram registradas 672.712 internações entre brancos (40,9%), 653.788 entre pardos (39,8%), 66.917 entre pretos (4,1%), 21.420 entre amarelos (1,3%) e 557 entre indígenas (0,03%); 228.051 registros (13,9%) não apresentavam essa informação. A Região Sudeste concentrou o maior número absoluto de internações (801.235; 48,8%), seguida por Nordeste (324.522; 19,7%), Sul (313.545; 19,1%), Centro-Oeste (130.339; 7,9%) e Norte (73.804; 4,5%). Após o ajuste por idade, as maiores taxas médias anuais de hospitalização foram observadas no Sul (85,39 por 100.000 habitantes) e no Centro-Oeste (80,50 por 100.000 habitantes). Foram registrados 149.669 óbitos hospitalares, correspondendo a uma taxa global de mortalidade de 9,11%. A mortalidade diminuiu de 11,80% em 2015 para 7,03% em 2025, redução relativa de 40,4%. A letalidade aumentou com a idade, alcançando 5,23% entre pacientes de 50 a 59 anos, 7,98% entre 60 e 69 anos, 12,67% entre 70 e 79 anos e 21,14% entre aqueles com 80 anos ou mais. O tempo médio global de permanência foi de 7,0 dias, diminuindo de 7,6 dias em 2015 para 6,2 dias em 2025. As despesas hospitalares totalizaram R$ 7,50 bilhões. O valor médio da AIH aumentou de R$ 3.608,31 em 2015 para R$ 5.764,59 em 2025, correspondendo a elevação de 59,7%. Conclusão: As hospitalizações por IAM no Brasil praticamente dobraram entre 2015 e 2025, acompanhadas de expressivo aumento dos custos hospitalares. Apesar da crescente demanda assistencial, observou-se redução progressiva da mortalidade hospitalar e do tempo médio de permanência. O predomínio de internações em homens e indivíduos entre 50 e 79 anos, a elevada letalidade entre pacientes com 80 anos ou mais e as diferenças regionais reforçam a necessidade de fortalecer a prevenção cardiovascular, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e às terapias de reperfusão e reduzir desigualdades na organização da atenção ao IAM. 

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Publicado

2026-08-05

Como Citar

Paiva, M. de C., Devequi Dallazem, L., Farias Bitencourt, G., Sabadin Hensel, S. R., Soavinski Nogarolli , C., Rodrigues da Silva , E. M., Toledo , K., Rossi, P. H., Gasparoto Pereira, L. F., Marholt, A. G., Aranha Nunes , J. T., Farina Ribeiro, D., Borgio Bonotto , A. J., Rangel de Moura, P. H., dos Reis Veiga, G., Prado Ducini , E. C., Vital da Silva Rocha, V., Scaraboto , R., Morciani , M. A., & de Oliveira Salvador , E. P. (2026). HOSPITALIZAÇÕES POR INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO NO BRASIL QUASE DOBRARAM EM UMA DÉCADA, ENQUANTO A MORTALIDADE HOSPITALAR DIMINUIU: ESTUDO EPIDEMIOLÓGICO NACIONAL, 2015–2026 . Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(8), 126–154. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n8p126-154