TANATOLOGIA FORENSE E DETERMINAÇÃO DA CAUSA DA MORTE

Autores

  • Daniel Prado Máximo
  • Diego Macedo de Oliveira Silva
  • Mário Jorge de Araújo Santos

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n7p839-849

Palavras-chave:

Medicina legal; Óbito; Tanatologia forense.

Resumo

Introdução: A tanatologia forense constitui uma área fundamental da medicina legal dedicada ao estudo científico da morte e dos fenômenos a ela relacionados, desempenhando papel essencial na determinação da causa do óbito e na elucidação de casos de interesse jurídico. A correta identificação dos mecanismos que levaram à morte possui relevância não apenas para a investigação criminal, mas também para a vigilância epidemiológica, produção de estatísticas em saúde e aperfeiçoamento da prática médica. Nesse contexto, a necropsia permanece como uma das principais ferramentas diagnósticas da medicina legal, sendo complementada por técnicas modernas como a autópsia virtual, a histopatologia e a microbiologia forense. Metodologia: Trata-se de uma revisão de literatura, de natureza qualitativa, descritiva e exploratória, realizada a partir de artigos científicos publicados entre os anos de 2016 e 2026, disponíveis gratuitamente nas bases de dados PubMed e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram utilizados descritores relacionados à tanatologia forense, causa da morte, necropsia, autópsia virtual, microbiologia forense e diagnóstico post mortem, combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos em português e inglês que apresentavam relação direta com a temática proposta. Resultados e Discussão: Os estudos analisados demonstraram que a necropsia continua sendo o método de referência para a determinação da causa da morte, possibilitando a identificação de doenças e lesões não diagnosticadas durante a vida. Observou-se ainda que a tomografia computadorizada post mortem e a autópsia virtual têm ampliado a capacidade diagnóstica das investigações médico-legais, especialmente em casos traumáticos e de difícil interpretação. Além disso, a histopatologia forense mostrou-se relevante para a confirmação diagnóstica de diversas patologias, enquanto a microbiologia post mortem vem contribuindo para o esclarecimento de mortes relacionadas a processos infecciosos. Pesquisas recentes envolvendo microbioma cadavérico e inteligência artificial também evidenciaram potencial para aprimorar a estimativa do intervalo pós-morte e fortalecer a precisão das análises forenses. Conclusão: Conclui-se que a tanatologia forense desempenha papel indispensável na determinação da causa da morte, sendo fundamental para a produção de evidências científicas confiáveis e para o esclarecimento de casos de interesse médico-legal. A integração entre métodos tradicionais e tecnologias emergentes tem ampliado significativamente a precisão diagnóstica das investigações post mortem, contribuindo para o fortalecimento da justiça, da saúde pública e das ciências forenses.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

CAMATTI, J. et al. Postmortem Microbiology in Forensic Diagnostics: Interpretation of Infectious Causes of Death and Emerging Applications. Diagnostics, v. 16, n. 2, p. 325, 2026. DOI: 10.3390/diagnostics16020325.

FRIBERG, N. et al. Cause of death and significant disease found at autopsy. Virchows Archiv, v. 475, n. 6, p. 781–788, 2019. DOI: 10.1007/s00428-019-02672-z.

INAI, K. et al. Postmortem CT is more accurate than clinical diagnosis for identifying the immediate cause of death in hospitalized patients: a prospective autopsy-based study. Virchows Archiv, v. 469, n. 1, p. 101–109, 2016. DOI: 10.1007/s00428-016-1937-6.

JOHNSON, H. R. et al. A Machine Learning Approach for Using the Postmortem Skin Microbiome to Estimate the Postmortem Interval. PLOS ONE, v. 11, n. 12, p. e0167370, 2016. DOI: 10.1371/journal.pone.0167370.

NODARI, R. et al. Forensic Microbiology: When, Where and How. Microorganisms, v. 12, n. 5, p. 988, 2024. DOI: 10.3390/microorganisms12050988.

PARAI, J. L.; MILROY, C. M. The Utility and Scope of Forensic Histopathology. Academic Forensic Pathology, v. 8, n. 3, p. 426–451, 2018. DOI: 10.1177/1925362118797602.

PHILLIPS, B.; ONG, B. B. “Was the Infant Born Alive?” A Review of Postmortem Techniques Used to Determine Live Birth In Cases of Suspected Neonaticide. Academic Forensic Pathology, v. 8, n. 4, p. 874–893, 2018. DOI: 10.1177/1925362118821476.

SCHMITT-SODY, M. A. et al. Analysis of death in major trauma: value of prompt post mortem computed tomography (pmCT) in comparison to office hour autopsy. Scandinavian Journal of Trauma, Resuscitation and Emergency Medicine, v. 24, n. 1, 2016. DOI: 10.1186/s13049-016-0231-6.

SONNEMANS, L. J. P. et al. Can virtual autopsy with postmortem CT improve clinical diagnosis of cause of death? A retrospective observational cohort study in a Dutch tertiary referral centre. BMJ Open, v. 8, n. 3, p. e018834, 2018. DOI: 10.1136/bmjopen-2017-018834.

STEFANO, T. et al. Utility and diagnostic value of postmortem microbiology associated with histology for forensic purposes. Forensic Science International, v. 342, p. 111534, 2023. DOI: 10.1016/j.forsciint.2022.111534.

Downloads

Publicado

2026-07-21

Como Citar

Máximo, D. P., Silva, D. M. de O., & Santos, M. J. de A. (2026). TANATOLOGIA FORENSE E DETERMINAÇÃO DA CAUSA DA MORTE. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(7), 839–849. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n7p839-849