Associação entre infecção pelo vírus Zika e a ocorrência de doenças do sistema nervoso no estado da Bahia: um estudo epidemiológico ecológico.
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n7p664-684Palavras-chave:
Zika Virus, Doenças do Sistema Nervoso, Vigilância Epidemiológica, BahiaResumo
O vírus Zika representa um importante problema de saúde pública, especialmente em regiões tropicais como a Bahia, devido à sua associação com complicações congênitas e manifestações neurológicas, incluindo encefalites, mielites e neuropatias. Diante da elevada circulação viral no estado e da escassez de estudos epidemiológicos sobre sua relação com doenças do sistema nervoso, este estudo objetivou analisar a associação entre as notificações de infecção pelo vírus Zika e as internações por doenças do sistema nervoso na Bahia, entre 2016 e 2025. Trata-se de um estudo epidemiológico observacional, ecológico, retrospectivo e quantitativo, realizado com dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), disponíveis no DATASUS. Foram avaliadas as notificações de Zika e as internações por doenças do sistema nervoso (CID-10 G00–G99), considerando sua distribuição temporal e espacial nos municípios baianos. As notificações de Zika concentraram-se em 2016, caracterizando o principal pico epidêmico da série histórica, seguido de expressiva redução nos anos subsequentes. Em contraste, as internações por doenças do sistema nervoso apresentaram tendência crescente ao longo do período, atingindo seu maior quantitativo em 2025. Apesar da ausência de associação temporal direta entre as variáveis, observou-se sobreposição espacial entre municípios com maior número de notificações de Zika e maior volume de internações, destacando-se Salvador, Feira de Santana, Vitória da Conquista, Itabuna e Ilhéus. Esse padrão sugere uma associação ecológica influenciada por fatores demográficos, assistenciais e estruturais, como densidade populacional, urbanização, organização da rede de saúde e capacidade diagnóstica. Conclui-se que a sobreposição geográfica identificada reforça a necessidade de estudos com dados individualizados, confirmação laboratorial e avaliação de diagnósticos neurológicos específicos para esclarecer a possível relação causal entre a infecção pelo vírus Zika e os desfechos neurológicos.
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