VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA E RACISMO INSTITUCIONAL NO CUIDADO À MULHER NEGRA: REVISÃO INTEGRATIVA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n6p920-946Palavras-chave:
Violência obstétrica, Mulheres negras, Brasil, Desigualdade racial em saúdeResumo
A violência obstétrica, manifestada por abusos físicos, verbais, negligência e discriminação e constitui uma violação dos direitos humanos e um problema de saúde pública global. No Brasil, evidências apontam disparidades raciais alarmantes, com a mortalidade materna entre mulheres pretas sendo mais que o dobro da observada entre brancas em 2022. Objetivo identificar, na literatura, a prevalência e a formas de manifestação da violência obstétrica e a influência de aspectos raciais para sua ocorrência. Trata-se de uma revisão integrativa, que norteou-se pela pergunta elaborada com base na estratégia PCC. A busca foi realizada nas bases de dados: SciELO, Pubmed, BVSalud, Periódicos Capes, considerando estudos dos últimos 10 anos, foram incluídos estudos primários, que analisaram violência obstétrica no contexto brasileiro e excluidos os estudos que não apresentassem análise explícita sobre a relação entre raça/cor e e literatura cinzenta. Foram selecionados 15 estudos, distribuídos de 2020 a 2025, havendo o predomínio de abordagem qualitativa. Os resultados evidenciaram taxas elevadas de violência obstétrica, variando de 65,3% a 93,7% nos estudos quantitativos, com exceção de uma pesquisa que registrou apenas 16,67%. As práticas mais frequentes incluíram manobra de Kristeller, negação de analgesia, toques vaginais seriados e violência verbal. Mulheres negras foram desproporcionalmente submetidas a privações de cuidados e procedimentos danosos, além de maior estigma e discriminação. Fatores socioeconômicos associaram-se a maior prevalência de violência obstétrica. A violência obstétrica configura-se como expressão de estruturas sociais e institucionais que reproduzem desigualdades históricas, sendo o racismo institucional um eixo estruturante das iniquidades vivenciadas por mulheres negras no parto. Conclui-se que o enfrentamento da violência obstétrica requer transformações na formação profissional, na organização dos serviços e na promoção da autonomia feminina.
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