LEUCOPLASIA ORAL: ASPECTOS CLÍNICOS, FATORES DE RISCO E POTENCIAL DE TRANSFORMAÇÃO MALIGNA — UMA REVISÃO DA LITERATURA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n5p1821-1838Palavras-chave:
Leucoplasia Oral; Neoplasias Bucais; Tratamento; Odontologia.Resumo
Introdução: A leucoplasia oral é considerada o distúrbio oral potencialmente maligno de maior prevalência na população mundial, sendo definida como uma placa branca na mucosa bucal que não pode ser removida por raspagem nem classificada como qualquer outra condição conhecida. Sua relevância clínica reside no potencial de transformação para o carcinoma espinocelular oral, tornando seu diagnóstico precoce e seu acompanhamento longitudinal medidas indispensáveis na prática odontológica. O tabaco, em suas diversas formas de consumo, constitui o principal fator de risco associado ao desenvolvimento da lesão, embora fatores microbiológicos, nutricionais e comportamentais também exerçam papel relevante na sua etiopatogenia e progressão. Objetivo: Analisar, por meio de revisão da literatura, os principais aspectos relacionados à leucoplasia oral, abrangendo sua definição, classificação, epidemiologia, fatores de risco, características clínicas e histopatológicas, potencial de transformação maligna e abordagens terapêuticas disponíveis. Metodologia: Trata-se de um estudo de revisão de literatura narrativa, realizado a partir do levantamento de publicações científicas indexadas nas bases de dados PubMed e PMC. Foram selecionados artigos originais, revisões sistemáticas, meta-análises e relatos de caso publicados em língua inglesa e portuguesa, sem restrição de período, priorizando estudos de relevância clínica e epidemiológica comprovada sobre a leucoplasia oral e os distúrbios orais potencialmente malignos. Discussão: Os dados analisados confirmam que a leucoplasia oral é uma condição heterogênea em seus aspectos clínicos, histopatológicos e evolutivos. A presença de displasia epitelial, a forma não homogênea da lesão, a localização em áreas de alto risco e a manutenção dos hábitos tabágicos foram identificados como os principais fatores associados à transformação maligna. O diagnóstico permanece desafiador por sua natureza de exclusão, e as modalidades terapêuticas disponíveis ainda não eliminam completamente o risco de recorrência, reforçando a importância do seguimento clínico periódico e da abordagem multidisciplinar no manejo desses pacientes.
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