EXPANSÃO MAXILAR ASSOCIADA À TRAÇÃO REVERSA NO TRATAMENTO ORTOPÉDICO DA CLASSE III: RELATO DE CASO

Autores

  • Wellida Nancy Sérgio de Melo Centro Universitário CESMAC
  • Mariana Barbosa da Silva Centro Universitário CESMAC
  • Ana Luiza Costa Silva de Omena Gomes Centro Universitário CESMAC
  • Karlla Almeida Vieira Centro Universitário CESMAC
  • Patrícia Clotildes de Albuquerque Mendes Centro Universitário CESMAC
  • Dario Fernandes Lopes Neto Centro Universitário CESMAC

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n5p1645-1662

Palavras-chave:

Má oclusão de Classe III, Tração reversa, Expansão maxilar

Resumo

Introdução: A má oclusão de Classe III é uma discrepância dentomaxilar anteroposterior de etiologia multifatorial, podendo ser dentária, esquelética ou funcional. Caracteriza-se por prognatismo mandibular, retrognatismo maxilar ou combinação de ambos, resultando frequentemente em mordida cruzada anterior e perfil facial côncavo. A condição gera impactos funcionais, estéticos e psicossociais, sendo mais prevalente em populações asiáticas. Objetivo: Relatar um caso clínico de tratamento de má oclusão de Classe III esquelética por meio da associação de expansor Hyrax e máscara facial, discutindo seus aspectos clínicos, radiográficos e cefalométricos, com o intuito de evidenciar a eficácia do tratamento interceptivo realizado em fase precoce do desenvolvimento craniofacial. Relato de caso: Paciente masculino de 6 anos e 2 meses de idade apresentou má oclusão de Classe III de Angle com mordida cruzada anterior e discreto perfil côncavo. O diagnóstico revelou Classe III esquelética (ANB = -0,97°), com protrusão mandibular. O tratamento consistiu em expansão rápida da maxila com disjuntor Hyrax associada à máscara facial de Petit (800g de força). Após 14 meses, com boa colaboração do paciente e responsáveis, obteve-se correção completa da mordida cruzada anterior, melhora da relação maxilomandibular (ANB para 3,96°), protração maxilar e maior harmonia facial, demonstrando a eficácia da intervenção precoce. Conclusão: A expansão rápida da maxila com disjuntor Hyrax associada à máscara facial de Petit demonstrou ser um tratamento interceptivo eficaz para a má oclusão de Classe III esquelética em paciente em fase inicial de crescimento. Com diagnóstico preciso, foi possível corrigir a mordida cruzada anterior, melhorar a relação maxilomandibular e promover maior harmonia facial. A boa cooperação do paciente foi essencial para o sucesso obtido. Apesar dos bons resultados a curto e médio prazo, o acompanhamento longitudinal é necessário devido ao potencial de crescimento residual, reforçando a importância de estudos com maior tempo de seguimento para avaliar a estabilidade em longo prazo.

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Publicado

2026-05-23

Como Citar

Melo, W. N. S. de, Silva, M. B. da, Gomes, A. L. C. S. de O., Vieira, K. A., Mendes, P. C. de A., & Neto, D. F. L. (2026). EXPANSÃO MAXILAR ASSOCIADA À TRAÇÃO REVERSA NO TRATAMENTO ORTOPÉDICO DA CLASSE III: RELATO DE CASO. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(5), 1645–1662. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n5p1645-1662