ESCALPELAMENTO CRANIOFACIAL: ASPECTOS CLÍNICOS, MANEJO CIRÚRGICO, PROGNOSTICOS E IMPACTOS À VIDA – REVISÃO DE LITERATURA COM ANÁLISE DESCRITIVA
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n5p546-587Palavras-chave:
Escalpelamento; Reimplante microcirúrgico; Trauma craniofacial; Reconstrução; Impacto psicossocialResumo
RESUMO
Introdução: O escalpelamento craniofacial constitui uma lesão traumática grave caracterizada pela avulsão parcial ou total do couro cabeludo, frequentemente associada à exposição óssea, complicações infecciosas e deformidades permanentes. Além dos danos físicos, apresenta importante impacto psicossocial, especialmente em mulheres, afetando autoestima, identidade e qualidade de vida. Apesar dos avanços nas técnicas reconstrutivas, observa-se predomínio de abordagens focadas nos aspectos técnicos, com menor integração dos desfechos psicossociais.
Objetivo: Analisar as estratégias cirúrgicas e terapêuticas descritas na literatura para o manejo do escalpelamento craniofacial, correlacionando os desfechos funcionais, estéticos e psicossociais.
Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, conduzida nas bases de dados PubMed, Scopus e SciELO, utilizando descritores relacionados a lesões do couro cabeludo, reimplante e microcirurgia. Foram incluídos estudos publicados entre 2004 e 2024, nos idiomas português, inglês e espanhol. Após triagem e aplicação dos critérios de elegibilidade, 28 estudos compuseram a amostra final, incluindo relatos de caso, séries de casos, estudos observacionais, revisões e documento institucional. A análise foi realizada de forma descritiva, organizando os achados por eixos temáticos.
Conclusão: O reimplante microcirúrgico configura-se como padrão-ouro no tratamento do escalpelamento, com taxas de sucesso superiores a 85%, especialmente quando realizado em tempo de isquemia inferior a 6 horas. Fatores como técnica cirúrgica, número de anastomoses e manejo pós-operatório influenciam diretamente o prognóstico. Contudo, persistem limitações relacionadas ao baixo nível de evidência dos estudos disponíveis e à escassez de avaliações sistemáticas dos impactos psicossociais. Destaca-se a necessidade de abordagens multidisciplinares e de estudos prospectivos que integrem desfechos clínicos e qualidade de vida.
Palavras-chave: Escalpelamento; Reimplante microcirúrgico; Trauma craniofacial; Reconstrução; Impacto psicossocial
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