Clozapina como segunda linha em psicose de primeiro episódio: revisão integrativa comparando eficácia com olanzapina e amissulprida
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n5p597-611Palavras-chave:
Clozapina, Psicose, olanzapina, AmissulpridaResumo
Introdução: A psicose de primeiro episódio (FEP) representa um estágio neurobiologicamente crítico, no qual até 30% dos pacientes falham ao bloqueio dopaminérgico inicial. Algoritmos tradicionais postergavam a clozapina, priorizando ensaios sequenciais de eficácia decrescente e prolongando a morbidade. Objetivos: Avaliar se a clozapina, introduzida precocemente como segunda linha após falha a um primeiro antipsicótico, apresenta maior eficácia do que olanzapina ou amissulprida em pacientes com FEP. Metodologia: Revisão integrativa ancorada no referencial de Whittemore e Knafl (2005) e na hierarquia de evidência de Melnyk e Fineout-Overholt (2011). Realizaram-se buscas sistemáticas em PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS-BVS. O filtro de elegibilidade exigiu estudos originais ou secundários comparando diretamente ou indiretamente essas intervenções em psicose inicial, com extração exclusiva de dados clínicos associados a DOIs verificáveis. Resultados: Seis estudos foram incluídos (duas meta-análises, duas fases do OPTiMiSE e duas coortes algorítmicas). A evidência de comparação direta restringe-se ao ensaio de Li et al. (2026), que estabeleceu taxas de resposta de 62,5% com clozapina, 44,7% com amissulprida e 31,7% com olanzapina (P = 0,03) na segunda linha. O contingente de dados suplementar ratifica o declínio expressivo da resposta após a primeira falha terapêutica. Conclusão: Passou a existir suporte empírico direto emergente que valida a antecipação da clozapina após uma única falha em FEP. A transição dessa premissa para a prática clínica universal, entretanto, subordina-se à viabilidade logística do monitoramento hematológico rigoroso e exige replicação independente prévia.
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