Tendências da Tuberculose e suas Implicações para a Doença Pulmonar Pós-Tuberculose no Brasil: Um Estudo Retrospectivo Nacional
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p1303-1316Palavras-chave:
tuberculose, doença pulmonar obstrutiva crônica, obstrução do fluxo aéreo, epidemiologia, doença pulmonar pós-tuberculoseResumo
Introdução: A tuberculose (TB) permanece como uma das principais causas infecciosas de morbidade e mortalidade no mundo. Embora o tratamento antimicrobiano eficaz tenha reduzido a mortalidade, evidências crescentes demonstram que a tuberculose pulmonar pode causar sequelas respiratórias permanentes, incluindo obstrução crônica do fluxo aéreo e doença pulmonar pós-tuberculose. No Brasil, a persistência de elevada carga da doença e das desigualdades regionais reforça a necessidade de compreender suas tendências epidemiológicas e possíveis repercussões futuras sobre a saúde respiratória da população.
Objetivos: Analisar as tendências temporais dos casos de tuberculose no Brasil entre 2014 e 2024, segundo região geográfica e faixa etária, e discutir suas implicações para a doença pulmonar pós-tuberculose e a obstrução crônica do fluxo aéreo.
Metodologia: Estudo ecológico retrospectivo realizado com dados secundários de domínio público provenientes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Foram incluídos casos confirmados de tuberculose notificados entre 2014 e 2024. Os dados foram estratificados por ano de diagnóstico, macrorregião brasileira e faixa etária. Realizou-se análise descritiva por meio de números absolutos e variações percentuais ao longo do período. Não houve necessidade de aprovação ética por se tratar de base pública sem identificação individual.
Resultados: Foram notificados 1.039.807 casos de tuberculose no Brasil no período analisado. O número anual de casos aumentou de 85.216 em 2014 para 112.988 em 2024, correspondendo a crescimento de 27.772 (32,6%). A Região Norte apresentou o maior crescimento de 6.442 (73,4%), seguida pelas regiões Sudeste de 12.044 (31,2%), Centro-Oeste de 1.288 (30,0%), Nordeste de 5.712 (25,5%) e Sul de 2.286 (20,5%). Houve predomínio entre adultos de 20–39 anos, com 474.608 (45,6%) casos, seguidos por indivíduos de 30–59 anos, com 328.770 (31,6%).
Conclusão: Observou-se tendência crescente dos casos de tuberculose no Brasil entre 2014 e 2024, especialmente nas regiões Norte e Sudeste e entre adultos jovens e de meia-idade. Esses achados sugerem potencial aumento futuro da carga de doença pulmonar pós-tuberculose, reforçando a necessidade de estratégias integradas de controle da TB, diagnóstico precoce e acompanhamento respiratório em longo prazo.
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