Doença de Cushing: Fisiopatologia, Diagnóstico Diferencial e Avanços no Manejo Clínico e Cirúrgico do Hipercortisolismo ACTH-Dependente
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p1117-1129Palavras-chave:
Doença de Cushing; Hipercortisolismo; ACTH; Adenoma hipofisário; Diagnóstico diferencial; Endocrinologia.Resumo
Introdução: A doença de Cushing é uma causa de hipercortisolismo ACTH-dependente decorrente, na maioria dos casos, de adenoma hipofisário secretor de ACTH. A exposição crônica ao excesso de cortisol está associada a manifestações metabólicas, cardiovasculares e psiquiátricas, com impacto significativo na morbimortalidade. O diagnóstico é desafiador devido à sobreposição de sinais clínicos com condições comuns, exigindo abordagem sistematizada. Objetivo: Revisar os principais aspectos fisiopatológicos, o diagnóstico diferencial e os avanços no manejo clínico e cirúrgico da doença de Cushing. Metodologia: Realizou-se revisão narrativa da literatura baseada em diretrizes de sociedades médicas e em artigos científicos publicados em periódicos reconhecidos nas áreas de endocrinologia e neurocirurgia. Foram incluídos estudos que abordam critérios diagnósticos, métodos de investigação e estratégias terapêuticas. Discussão/Resultados: A fisiopatologia envolve secreção excessiva de ACTH pela hipófise, levando à hiperprodução de cortisol pelas adrenais. Clinicamente, destacam-se obesidade central, fraqueza muscular, hipertensão arterial, alterações cutâneas e distúrbios glicêmicos. O diagnóstico inicial baseia-se na confirmação do hipercortisolismo por testes como cortisol urinário livre, teste de supressão com dexametasona e cortisol salivar noturno. A diferenciação entre causas ACTH-dependentes e independentes é fundamental. Nos casos ACTH-dependentes, a distinção entre origem hipofisária e secreção ectópica requer exames como dosagem de ACTH, testes dinâmicos e imagem por ressonância magnética da hipófise. O cateterismo de seios petrosos pode ser necessário em situações duvidosas. O tratamento de escolha é cirúrgico, por meio de ressecção transesfenoidal do adenoma hipofisário. Em casos de falha ou recorrência, terapias complementares incluem radioterapia e tratamento medicamentoso com inibidores da esteroidogênese ou moduladores do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. O acompanhamento a longo prazo é essencial devido ao risco de recorrência. Conclusão: A doença de Cushing exige diagnóstico preciso e manejo especializado. Avanços nas técnicas diagnósticas e terapêuticas têm contribuído para melhores desfechos, embora o acompanhamento contínuo permaneça fundamental.
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