Fibrilação Atrial: Abordagem Diagnóstica e Estratégias Contemporâneas de Manejo Clínico e Cirúrgico
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p752-764Palavras-chave:
Fibrilação atrial; Arritmias cardíacas; Anticoagulação; Ablação por cateter; Eletrocardiograma; Cardiologia.Resumo
Introdução: A fibrilação atrial é a arritmia cardíaca sustentada mais comum na prática clínica, associada a aumento do risco de acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e mortalidade. Sua prevalência cresce com o envelhecimento populacional e com a presença de comorbidades como hipertensão, diabetes e cardiopatias estruturais. O manejo adequado exige diagnóstico preciso e estratégias terapêuticas individualizadas para controle dos sintomas e prevenção de eventos tromboembólicos. Objetivo: Revisar os principais aspectos diagnósticos e as estratégias contemporâneas de manejo clínico e cirúrgico da fibrilação atrial com base em evidências científicas. Metodologia: Realizou-se revisão narrativa da literatura baseada em diretrizes de sociedades médicas e em artigos científicos publicados em periódicos reconhecidos nas áreas de cardiologia e eletrofisiologia. Foram incluídos estudos que abordam diagnóstico, estratificação de risco e opções terapêuticas. Discussão/Resultados: O diagnóstico da fibrilação atrial é confirmado por eletrocardiograma, que evidencia ritmo irregularmente irregular e ausência de ondas P definidas. A avaliação inicial deve incluir estratificação do risco tromboembólico, frequentemente por escores clínicos, e identificação de fatores desencadeantes. O manejo clínico envolve duas estratégias principais: controle da frequência e controle do ritmo. O controle da frequência é realizado com fármacos como betabloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio ou digoxina. O controle do ritmo pode ser obtido por cardioversão elétrica ou farmacológica, além do uso de antiarrítmicos em pacientes selecionados. A anticoagulação é componente fundamental do tratamento, indicada conforme o risco tromboembólico, visando reduzir a ocorrência de eventos como AVC. No âmbito intervencionista, a ablação por cateter tem se consolidado como opção eficaz, especialmente em pacientes sintomáticos refratários ao tratamento medicamentoso. Em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos, como a técnica de Maze, podem ser considerados, frequentemente associados a outras cirurgias cardíacas. Conclusão: A fibrilação atrial representa importante desafio clínico devido à sua elevada prevalência e impacto prognóstico. O diagnóstico precoce, a adequada estratificação de risco e a escolha individualizada das estratégias terapêuticas são essenciais para otimizar os desfechos clínicos.
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