Mudanças no padrão cirúrgico do câncer de mama no Brasil: tendência das mastectomias e cirurgias conservadoras
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n4p148-159Palavras-chave:
Epidemiologia, Câncer de mama, MastectomiaResumo
Este artigo tem por objetivo realizar uma análise do padrão cirúrgico no tratamento de câncer de mama no Brasil na última década, avaliando a tendência temporal e espacial da realização de mastectomias e cirurgias conservadoras da mama. Trata-se de um estudo ecológico com base nos dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), obtidos por meio da plataforma TabNet, disponibilizada pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os dados foram organizados e analisados no Microsoft Excel 2019. Entre 2016 e 2025, foram realizadas 161.447 cirurgias para tratamento do câncer de mama no Brasil, com predomínio de cirurgias conservadoras (94,4%). O volume de procedimentos manteve-se estável até 2019, sofreu queda acentuada em 2020–2021 e apresentou recuperação a partir de 2022. Observou-se redução progressiva da proporção de mastectomias ao longo do período (10,84% em 2016 para 5,15% em 2025). Regionalmente, o Sudeste concentrou o maior número absoluto de cirurgias, enquanto o Nordeste apresentou a maior taxa de cirurgias conservadoras por milhão de habitantes, e o Sudeste, a maior taxa de mastectomias. Os achados evidenciam predomínio e expansão das cirurgias conservadoras no Brasil, porém com desigualdades regionais persistentes no acesso ao tratamento. Esses resultados reforçam a necessidade de fortalecer a rede oncológica e ampliar o acesso equitativo aos serviços de diagnóstico e terapêutica no país.
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