Editorial — Manutenção do QUALIS B3 (CAPES 2021–2024): consistência, mérito e defesa da integridade científica.
Palavras-chave:
Editorial, BJIHS, QUALIS, CAPESResumo
É com senso de responsabilidade acadêmica e compromisso com a transparência que comunicamos à comunidade científica que a Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS) manteve sua classificação Qualis B3 no sistema Qualis Periódicos CAPES, referente ao quadriênio 2021–2024.
Esta manutenção não apenas reafirma a solidez editorial da revista, como também consolida uma trajetória de estabilidade, uma vez que o periódico já possuía Qualis B3 na avaliação anterior. Em um cenário marcado por profundas mudanças, reclassificações severas e exclusão de diversos periódicos do sistema, permanecer no mesmo estrato representa, de forma inequívoca, um indicativo de consistência, credibilidade e continuidade científica.
Importante destacar que, no ciclo anterior, a revista apresentava Índice H de 13, ao passo que, na presente avaliação, alcança Índice H de 19, posicionando-se entre os maiores índices H do Brasil. Trata-se de um crescimento objetivo, mensurável e altamente relevante, que evidencia o aumento do impacto científico da revista, sua ampliação de visibilidade e a consolidação de sua inserção acadêmica.
Contudo, é imprescindível realizar uma análise técnica sobre o modelo de classificação adotado. O atual sistema Qualis trabalha com classificação única por área-mãe, sendo que, no caso da BJIHS, a avaliação foi conduzida pela área de Odontologia. Este fator, embora coerente do ponto de vista técnico, impõe limites objetivos ao enquadramento da revista em estratos superiores quando se utiliza o Índice H como métrica central.
Na prática, revistas com perfil multidisciplinar e com indicadores bibliométricos elevados acabam encontrando uma espécie de teto classificatório dentro de determinadas áreas. No caso específico da Odontologia, esse limite, sob determinadas condições, pode restringir o periódico ao estrato B3, mesmo quando seus indicadores permitiriam classificações superiores.
É razoável afirmar que, caso a revista fosse enquadrada em uma área-mãe interdisciplinar, poderia alcançar Qualis A3. Em outras áreas do conhecimento, com critérios distintos de avaliação e maior elasticidade bibliométrica, não seria inadequado projetar enquadramentos ainda mais elevados, como A2 ou até A1, à luz dos indicadores atualmente apresentados.
Essa constatação não configura uma crítica à área de Odontologia, mas sim uma reflexão técnica sobre as limitações estruturais de um modelo que, ao unificar a classificação, inevitavelmente reduz a capacidade de capturar a complexidade e o alcance real de determinados periódicos.
Por outro lado, este ciclo avaliativo também evidenciou um movimento necessário e, do nosso ponto de vista, absolutamente acertado por parte da CAPES: a rigorosa depuração do sistema frente a periódicos de caráter predatório.
Assistimos, nos últimos anos, à proliferação de revistas que banalizaram o processo científico — periódicos que chegaram a publicar centenas ou até mais de mil artigos em uma única edição, que anunciavam avaliações em poucas horas e prometiam publicações praticamente imediatas mediante pagamento de taxas, muitas vezes em valores fixos e padronizados, completamente dissociados de qualquer critério editorial sério.
Essas práticas não apenas fragilizam a ciência, como também desvalorizam o esforço de pesquisadores comprometidos, comprometem a credibilidade da produção científica e criam um ambiente de concorrência desleal com periódicos que operam dentro de padrões éticos e técnicos rigorosos.
Diante disso, a expressiva quantidade de periódicos classificados como Qualis C ou simplesmente excluídos do sistema não deve ser vista como um problema, mas sim como um processo de saneamento necessário. A ciência não pode e não deve ser nivelada por baixo.
Nesse contexto, a manutenção do Qualis B3 da BJIHS por dois ciclos consecutivos assume um significado ainda mais relevante. Enquanto muitos periódicos sucumbiram a rebaixamentos ou perderam completamente sua classificação, a BJIHS permaneceu estável, cresceu em impacto e reafirmou seu compromisso com a qualidade científica.
Seguiremos avançando com responsabilidade, rigor metodológico e compromisso editorial, sem aderir a atalhos que comprometem a integridade da ciência. Acreditamos que a consolidação de um periódico não se dá pela velocidade, mas pela consistência; não pelo volume desmedido, mas pela qualidade do que se publica.
A BJIHS permanece firme em seu propósito: contribuir de forma legítima, ética e relevante para o desenvolvimento da ciência.
Prof. Dr. Eber Coelho Paraguassu
Editor-Chefe
Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences (BJIHS)
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