Sífilis gestacional: características sociodemográficas e acesso ao tratamento em gestantes atendidas na atenção básica do Distrito IV, Recife-PE, 2023–2024

Autores

  • Ana Milena Souza da Silva COREMU-IMIP
  • Josinês Barbosa Rabelo

DOI:

https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p1508-1539

Palavras-chave:

Palavras-chave: Sífilis gestacional, Determinantes sociais da saúde, Pré-natal, Atenção Básica em Saúde, Tratamento do parceiro, Desigualdades em saúde.

Resumo

Introdução. A sífilis gestacional representa um grave problema de saúde pública no Brasil, impulsionado por desigualdades sociais e falhas no cuidado pré-natal. Apesar do tratamento eficaz e gratuito pelo SUS, barreiras de acesso e fragilidades na abordagem de gestantes e parceiros perpetuam o agravo e seus estágios adversos. Assim, analisar a articulação entre características sociodemográficas, econômicas, clínicas e territoriais com o cuidado é essencial para direcionar disciplinas em saúde. Objetivo. Analisar as características sociodemográficas, econômicas, clínicas e territoriais de gestantes com sífilis notificadas no Distrito Sanitário IV do Recife, de 2023 a 2024, e verificar associações com a situação de tratamento do parceiro, usadas como procuração de acesso e adesão ao cuidado. Metodologia. Estudo epidemiológico transversal quantitativo, com 317 gestantes com sífilis na atenção básica. As variáveis ​​incluíam idade, raça/cor, escolaridade, bairro de residência, trimestre de início do pré-natal, classificação clínica e situação de tratamento do parceiro. A análise utilizou estatísticas descritivas (frequências absolutas e relativas) e testes bivariados (qui-quadrado de Pearson, significância de 5%) entre variáveis sociodemográficas, territoriais, de cuidado e tratamento do parceiro. Conclusão. Predominaram gestantes jovens, pardas, com baixa escolaridade ou ignorantes, residentes em bairros de alta vulnerabilidade social. Não houve associações significativas entre tratamento de parceiro e escolaridade, raça/cor, trimestre de pré-natal ou bairro. Contudo, a combinação escolaridade–tratamento mostrou tendência à associação. Houve associação significativa entre escolaridade e raça/cor, com maior proporção de pardas e pretas em estratos de baixa escolaridade e “ignorado”. Esses resultados indicam que, embora marcadores sociodemográficos não se liguem diretamente ao tratamento do parceiro, a interseção de vulnerabilidades educacionais, raciais e territoriais destaca o impacto dos determinantes sociais na sífilis gestacional. Isso reforça a urgência de qualificar o pré-natal, melhorar os registros em saúde e adotar estratégias integradas contra desigualdades de raça, classe e território no cuidado a gestantes e parceiros.

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Publicado

2026-03-23

Como Citar

Souza da Silva, A. M., & Rabelo, J. B. (2026). Sífilis gestacional: características sociodemográficas e acesso ao tratamento em gestantes atendidas na atenção básica do Distrito IV, Recife-PE, 2023–2024. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 8(3), 1508–1539. https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p1508-1539