Comparação entre Escitalopram, Sertralina e Venlafaxina no Transtorno de Ansiedade Generalizada
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p1681-1696Palavras-chave:
Transtorno de ansiedade generalizada; Escitalopram; Sertralina; Venlafaxina; Antidepressivos; PsicofarmacologiaResumo
Introdução: O transtorno de ansiedade generalizada (TAG) é caracterizado por preocupação excessiva e persistente, frequentemente associada a sintomas como tensão muscular, irritabilidade, fadiga e dificuldade de concentração. Trata-se de uma condição comum na prática clínica e associada a prejuízo significativo na qualidade de vida. As diretrizes de sociedades médicas recomendam antidepressivos como tratamento farmacológico de primeira linha, especialmente os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como escitalopram e sertralina, e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), como a venlafaxina. Objetivo: Comparar aspectos de eficácia, segurança e tolerabilidade do escitalopram, da sertralina e da venlafaxina no tratamento do transtorno de ansiedade generalizada. Metodologia: Realizou-se revisão narrativa da literatura com base em diretrizes de sociedades médicas e em artigos científicos publicados em bases reconhecidas, como PubMed e Cochrane, além de documentos institucionais do Ministério da Saúde. Foram incluídos estudos que avaliaram eficácia clínica, perfil de efeitos adversos e resposta terapêutica dessas medicações no tratamento do TAG. Discussão/Resultados: Os ISRS, como escitalopram e sertralina, são amplamente recomendados como terapias iniciais para o TAG devido ao perfil favorável de eficácia e tolerabilidade. Estudos indicam que ambos apresentam eficácia semelhante na redução dos sintomas ansiosos, com boa aceitabilidade pelos pacientes. O escitalopram, por sua elevada seletividade serotoninérgica, é frequentemente associado a menor incidência de interações medicamentosas e perfil de efeitos adversos relativamente leve. Já a sertralina apresenta ampla experiência clínica e boa relação entre eficácia e tolerabilidade em diversos transtornos ansiosos. A venlafaxina, pertencente à classe dos IRSN, atua também na recaptação de noradrenalina e pode ser particularmente útil em casos com sintomas ansiosos mais intensos ou comorbidades depressivas. Em termos gerais, revisões sistemáticas indicam que não existem diferenças consistentes e clinicamente relevantes de eficácia entre muitos antidepressivos utilizados em transtornos ansiosos, sendo a escolha frequentemente baseada no perfil de efeitos adversos, comorbidades e resposta individual do paciente. Conclusão: Escitalopram, sertralina e venlafaxina representam opções terapêuticas eficazes para o tratamento do transtorno de ansiedade generalizada. Embora apresentem eficácia comparável em muitos estudos, diferenças no perfil farmacológico e de tolerabilidade podem influenciar a escolha clínica. A individualização do tratamento, considerando características do paciente e possíveis efeitos adversos, permanece fundamental para melhores desfechos terapêuticos.
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