ENTRE DISTÂNCIAS E APRENDIZAGENS: Impactos da Mobilidade Escolar no Desenvolvimento Educacional em Contextos Rurais e Urbanos
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p758-772Palavras-chave:
Mobilidade escolar; Direito à educação; Desigualdades territoriais; Permanência estudantil; Desenvolvimento educacional.Resumo
O presente artigo analisa a mobilidade escolar como dimensão estruturante do desenvolvimento educacional e da efetivação do direito à educação em contextos territoriais desiguais. Parte-se do entendimento de que o acesso formal à escola não garante, por si só, a permanência estudantil nem a aprendizagem significativa quando persistem barreiras relacionadas ao deslocamento cotidiano entre residência e instituição escolar. O estudo caracteriza-se como uma pesquisa de natureza qualitativa, desenvolvida por meio de revisão narrativa da literatura, mobilizando referenciais teóricos que articulam direito à educação, desigualdades territoriais e políticas públicas. Em cenários rurais, periféricos e urbanos, fatores como longas distâncias, transporte inadequado e insegurança nos trajetos interferem diretamente nas trajetórias escolares. A discussão evidencia que a mobilidade escolar impacta dimensões cognitivas, socioemocionais e acadêmicas do processo educativo, podendo comprometer atenção, engajamento e vínculo do estudante com a escola. Em contrapartida, condições adequadas de mobilidade favorecem a continuidade das trajetórias educacionais e o desenvolvimento integral dos estudantes. Conclui-se que a mobilidade escolar deve ser compreendida como política pública estruturante, exigindo planejamento intersetorial entre educação, transporte e organização territorial, com vistas à redução das desigualdades educacionais e à promoção da equidade no acesso e na permanência escolar.
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