UMA ANÁLISE DA ESPIRITUALIDADE DIANTE DO ENFRENTAMENTO AO CÂNCER EM PACIENTES COM SINAIS E SINTOMAS DEPRESSIVOS.
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p593-613Palavras-chave:
espiritualidade/religiosidade; oncologia, dor total; adesão terapêutica; humanizaçãoResumo
Introdução: A espiritualidade/religiosidade, desde os primórdios da medicina, integram a experiência humana de adoecer e curar. Na oncologia moderna, marcada por sofrimento físico e existencial, essas dimensões reassumem centralidade, sobretudo diante do conceito de “dor total” de Cicely Saunders, que abrange aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais. A medicina contemporânea reconhece que o modelo biomédico isolado é insuficiente, e passa a incorporar a espiritualidade como elemento ético e terapêutico essencial do cuidado centrado na pessoa.
Objetivos: Analisar criticamente a influência da espiritualidade/religiosidade, em suas expressões positivas e negativas, sobre adesão terapêutica, percepção da dor e qualidade de vida de pacientes oncológicos, bem como discutir fundamentos conceituais, implicações éticas e formativas para a prática médica humanizada. Metodologia: Monografia narrativa analítico-crítica, fundamentada em pesquisa bibliográfica e documental, com busca em PubMed, Web of Science e SciELO (2000–2025), além de obras clássicas como Saunders (1963), Koenig (2012), Pargament et al. (2011) e Pessini e Barchifontaine (2021). O percurso envolveu leitura interpretativa e integração reflexiva das dimensões biológica, psicológica e espiritual do cuidado oncológico. Por basear-se em dados secundários, dispensou aprovação ética (Res. CNS 510/2016).
Resultados: A espiritualidade positiva, caracterizada por fé, esperança e propósito, favorece resiliência, adesão, aceitação da finitude e menor percepção da dor; a negativa, marcada por culpa e sensação de punição, amplia sofrimento, resistência terapêutica e desesperança. Evidenciou-se que o cuidado espiritual ético melhora a comunicação médico-paciente, fortalece o vínculo e reduz o sofrimento emocional.
Conclusão: Espiritualidade/religiosidade constituem dimensões clínicas legítimas e determinantes do cuidado integral em oncologia. Quando positivas, promovem adesão, resiliência e alívio da dor; quando negativas, ampliam vulnerabilidades. Integrar essa dimensão à prática médica é reconhecer que tratar o câncer é também tratar o sentido da vida. O futuro da medicina depende de unir técnica e compaixão, corpo e transcendência, reafirmando o cuidado espiritual como requisito ético e clínico para uma medicina verdadeiramente humanizada.
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