Anestesia em pacientes com dispositivos cardíacos implantáveis (CDI e marcapasso)
DOI:
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2026v8n3p1727-1742Palavras-chave:
Marcapasso; Cardiodesfibrilador implantável; Anestesia; Manejo perioperatório; Arritmias; Segurança cirúrgicaResumo
Introdução: O número de pacientes portadores de dispositivos cardíacos implantáveis, como marcapassos e cardiodesfibriladores implantáveis (CDI), tem aumentado nas últimas décadas devido ao avanço no tratamento de arritmias e insuficiência cardíaca. Consequentemente, esses pacientes são cada vez mais submetidos a procedimentos cirúrgicos que exigem manejo anestésico cuidadoso. Interferências eletromagnéticas, especialmente provenientes de equipamentos cirúrgicos, podem comprometer o funcionamento desses dispositivos, exigindo planejamento pré-operatório adequado. Objetivo: Revisar os principais cuidados anestésicos no manejo perioperatório de pacientes portadores de marcapasso e CDI, enfatizando estratégias para prevenção de complicações. Metodologia: Foi realizada revisão narrativa da literatura baseada em diretrizes e recomendações de sociedades médicas reconhecidas, incluindo a American Society of Anesthesiologists e a Sociedade Brasileira de Anestesiologia, além de artigos científicos publicados em periódicos indexados nas áreas de anestesiologia e cardiologia. Discussão/Resultados: A avaliação pré-operatória é etapa fundamental e deve incluir identificação do tipo de dispositivo implantado, sua indicação clínica, programação atual e dependência do paciente ao marcapasso. Sempre que possível, recomenda-se avaliação prévia por equipe de cardiologia ou eletrofisiologia. Durante o procedimento cirúrgico, equipamentos como o bisturi elétrico podem gerar interferência eletromagnética, capaz de inibir a estimulação do marcapasso ou desencadear terapias inadequadas em dispositivos CDI. Medidas preventivas incluem posicionamento adequado da placa de retorno do bisturi, preferência por eletrocautério bipolar e monitorização cardíaca contínua. Em determinadas situações, pode ser necessário reprogramar o dispositivo ou suspender temporariamente as terapias antitaquicardia do CDI. No período pós-operatório, recomenda-se avaliação do funcionamento do dispositivo para confirmar sua integridade e adequada programação. Conclusão: O manejo anestésico de pacientes com dispositivos cardíacos implantáveis exige abordagem multidisciplinar e planejamento cuidadoso. A identificação prévia do dispositivo, a adoção de medidas para reduzir interferências eletromagnéticas e a monitorização adequada são fundamentais para garantir segurança perioperatória.
Downloads
Referências
AL-KHATIB, S. M. et al. 2017 AHA/ACC/HRS guideline for management of patients with ventricular arrhythmias and prevention of sudden cardiac death. Circulation, v. 138, n. 13, p. e272–e391, 2018.
AMERICAN SOCIETY OF ANESTHESIOLOGISTS. Practice advisory for the perioperative management of patients with cardiac implantable electronic devices. Anesthesiology, v. 132, n. 2, p. 225–252, 2020.
ANVISA; SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretrizes brasileiras de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 2016.
BLENKINSOPP, J. et al. Perioperative management of patients with cardiac implantable electronic devices. Anaesthesia, v. 74, n. 4, p. 530–540, 2019.
BURRI, H.; STARCK, C.; AURICCHIO, A. Device therapy in heart rhythm disorders: state of the art. European Heart Journal, v. 38, n. 22, p. 1650–1657, 2017.
CROSSLEY, G. H. et al. The Heart Rhythm Society (HRS) expert consensus statement on magnetic resonance imaging and radiation exposure in patients with cardiovascular implantable electronic devices. Heart Rhythm, v. 14, n. 7, p. e97–e153, 2017.
DUNN, C. et al. Electromagnetic interference with cardiac implantable electronic devices in the surgical environment. Journal of Cardiothoracic and Vascular Anesthesia, v. 34, n. 2, p. 530–538, 2020.
INDIK, J. H. et al. 2017 HRS expert consensus statement on cardiovascular implantable electronic device lead management and extraction. Heart Rhythm, v. 14, n. 12, p. e503–e551, 2017.
KUSUMOTO, F. M. et al. 2018 ACC/AHA/HRS guideline on the evaluation and management of patients with bradycardia and cardiac conduction delay. Circulation, v. 140, n. 8, p. e382–e482, 2019.
MORGAN, G. E.; MIKHAIL, M. S.; MURRAY, M. J. Clinical anesthesiology. 6. ed. New York: McGraw-Hill Education, 2018.
POOLE, J. E. et al. Complications associated with pacemaker and ICD generator replacements and upgrades. Circulation, v. 135, n. 9, p. 826–833, 2017.
RIORDAN, M.; LAYTON, D.; TOMASKE, M. Advances in cardiac implantable electronic devices and implications for perioperative care. Heart Rhythm, v. 18, n. 9, p. 1573–1580, 2021.
SLOTWINSKI, R. et al. Perioperative management of patients with pacemakers and implantable cardioverter-defibrillators. Kardiologia Polska, v. 77, n. 3, p. 303–311, 2019.
STONE, M. E. et al. Perioperative management of patients with cardiac implantable electronic devices. British Journal of Anaesthesia, v. 121, n. 4, p. 767–781, 2018.
VAN ERVEN, L.; SCHALIJ, M. J. Implantable cardioverter-defibrillators: current indications and management. Netherlands Heart Journal, v. 26, n. 7–8, p. 342–349, 2018.
WAZNI, O. et al. Leadless pacemakers and the evolving management of cardiac rhythm devices. New England Journal of Medicine, v. 376, n. 5, p. 439–447, 2017.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 João Pedro Sato de Castro, Thays Ramires Corrêa Leite, Amanda de Melo Franco Rabelo, José Idygleikson Guedes Medeiros, Guilherme Urzedo Gonçalves , Alexandre Edu Rassy, Izadora Elias Sonomura de Oliveira , Samuel Alves de Lima , Ricardo Carneiro Leal Paes Barreto, Luana Magalhães Trindade, Rafael Fernandes Barbosa Fonseca, Maria Carolina Passos Pedrotti e Andrade, Admilson Rezende de Caramalac Júnior , Déborah Danyelle Lopes da Silva

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution 4.0 International License.
Os autores são detentores dos direitos autorais mediante uma licença CCBY 4.0.



